segunda-feira, 4 de junho de 2012

Indústria Cultural – Cinema (gênero comédia)

Cena de "Tempos Modernos" (1936) de Charles Chaplin: o homem em cheque.

É possível observar que em “Tempos Modernos”, de 1936, Charles Chaplin já tecia fortes críticas ao capitalismo e à alienação do homem pelo trabalho maquinal. Talvez sem saber, o cineasta britânico tratou de uma questão, por meio da arte, que seria objeto de estudo, mais de uma década depois, dos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer. Ambos, membros da Escola de Frankfurt, abordaram o panorama da indústria cultural pela primeira vez no ensaio “Dialética do Esclarecimento”, publicado em 1947.

As reflexões de Adorno e Horkheimer referiam-se a como a realidade capitalista passou a tratar da arte como mera mercadoria. Além da falta de conteúdo, ou ainda, excesso de cultura inútil, mastigada, que fazia só minimizar o intelecto de seus consumidores, a distribuição em massa de tais conteúdos tirava-lhes a aura culta.

No cinema – “O cinema e o rádio não têm mais necessidade de serem empacotados como arte. A verdade de que nada são além de negócios lhes serve de ideologia. Esta deverá legitimar o lixo que produzem de propósito. O cinema e o rádio se auto definem como indústrias, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretoresgerais tiram qualquer dúvida sobre a necessidade social de seus produtos”. (ADORNO, Theodor W: Indústria Cultural e Sociedade. 5. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002).

A produção cinematográfica em larga escala vai de encontro aos estudos de Adorno e Horkheimer quanto à indústria cultural. O capitalismo revela a cultura como mercadoria, a partir do momento em que fazer um filme torna-se sinônimo de tecer uma colcha dedicada às preferências do espectador. O mero entretenimento que leva as pessoas à frente das telonas para apenas relaxarem e apresenta-as temas clichês, vazios.

A comédia – A ação da indústria cultural incute a ideia de que filmes do gênero comédia tem por objetivo único fazer rir as pessoas. Não que isso esteja errado, mas diante das cabeças preguiçosas surgidas do entretenimento fácil, o humor passou a apresentar-se de maneira escrachada. Além do que a produção frenética ocasiona uma ausência de identidade, ou seja, a estrutura padronizada do enredo passa a fazer os filmes parecerem todos iguais. Filmes como “Todo Mundo Em Pânico” (Scary Movie, EUA, 2000) e “Deu a Louca em Hollywood” (Epic Movie, EUA, 2007) são exemplos de espetáculos de culto ao ridículo. Por outro lado, o humor refinado, presente em produções como “All My Friends II” (Amici Miei Atto II, Itália, 1982), de Mario Monicelli, fica em desuso.

Felipe Raicoski, Rafaela Gabardo e Renan Machado - Jornalismo Noturno

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

observações coerentes (ainda q um tanto radicais...), texto consistente. gostei de ler.