domingo, 17 de junho de 2012

A música sertaneja e a Indústria Cultural

A música sertaneja teve a sua criação no interior paulista, entre os anos de 1910 e 1920. Feita por compositores rurais, era chamada de moda viola e foi denominada pelo folclorista Cornélio Pires em seu livro "conversas ao pé do fogo", como uma música caracterizada por suas letras românticas e pelo canto triste, que lembrava as senzalas mas que tinha a sua dança feita de forma alagre. No Brasil, desde sua criação, ela pode ser dividida em quatro períodos, diferenciados entre eles por questões sócioeconômicas e tecnológicas em relação a produção e a temática das canções. No primeira período,o gênero era conhecido como música caipira, cujas letras evocavam o modo de vida do homem do interior (muitas vezes em oposição à vida do homem da cidade), assim como a beleza bucólica e romântica da paisagem interiorana. O segundo, teve início após a Segunda Guerra Mundial, com a incorporação de novos estilos, gêneros e instrumentosA temática também mudou, tornando-se gradualmente mais amorosa, porém, conservando ainda um caráter autobiográfico. O terceiro, ja nas década de 70,  teve a introdução da guitarra elétrica e o chamado "ritmo jovem", marcando o início da fase moderna da música sertaneja. Já a  partir da década de 80, essa penetração estendeu-se às rádios FM e também à televisão, fazendo surgir uma tendência mais comercial e romântica na composição das músicas. O quarto e atual período, mudou muito a forma do sertanejo convencional, já que alguns instrumentos como a sanfona, se tornaram mais eletrônicos, assim, tornando a música com um ritmo um pouco mais acelerado. Sua composição tem temática cômica e e chama-se universitário pelo fato de que seus maiores apreciantes são adolescentes.


A música sertaneja na TV, no cinema e na Rádio.

Com a modernização dos meios de comunicação e de produção cultural, ficou cada vez mais fácil difundir a música sertaneja. A saída dos trabalhadores rurais em direção a cidade para trabalhar, também ajudou na difusão do estilo sertanejo. Com o dinheiro conquistado por essas pessoas, uma rede de consumo sólida surgiu e este estilo musical ganhou caráter comercial. Ela foi para as rádios antes da televisão e hoje podemos encontrar redes radiofônicas que tocam exclusivamente o sertanejo, como a Clube e a Mass FM em Curitiba, segmentando o seu grupo. Na TV, após sua presença em programas matutinos e em trilhas de novela, também ganhou um espaço segmentado e único, como o Viola, Minha Viola, que está desde 1980 sendo transmitido sem interrupções, com um cenário que lembra o campo e as fazendas, reforçando a temática sertaneja. No cinema, podemos encontrar filmes como O menino da Porteira e Dois filhos de Francisco, sucesso de bilheteria e ícones da cultura rural neste meio.

A relação com a Teoria Crítica e Indústria Cultural

Podemos relacionar a música sertaneja com as teorias de Adorno e Horkheimer, a partir das seguintes situações: O trabalho feito pelo homem para conquistar seu recurso financeiro, os fazem subordinados e parte do mercado capitalista. Com a segmentação e produção em escala da música sertaneja, mais pessoas a consomem, usando então este recurso financeiro para fazer girar a economia centrada na cultura e que enriquece apenas um determinado grupo.  A Outra situação, esta bem mais clara e evidente, é a que se relaciona com a idéia apresentada na teoria crítica de que com a reprodução técnica, a obra de arte perde a sua aura, o seu caráter mágico, de culto. Foi assim com a essência da música sertaneja, totalmente rural, regional e feita por pessoas ligada ao campo e que ao longo dos anos, com a modernização técnica, perdeu sua identidada e é feita hoje sem a mesma emoção e originalidade de antigamente.

Embasamento Teórico

Para finalizar, vamos usar 4 conceitos do musicólogo suéco Krister Malm em seu estudo sobre a interação entre a cultura musical e a produção industrial, em relação ao sertanejo.

1. Troca cultural, que ocorre no nível pessoal com o contato informal. Na música sertaneja este processo é comum na sua primeira fase, a da música sertaneja raiz, período de consolidação do gênero e também na sua fase de transição quando guarânias e polcas paraguaias são adaptadas ao estilo, em grande parte através da circulação de músicos nos circuitos de circo na região sudoeste/sudeste brasileira e Paraguai.
2. Dominação cultural, quando uma cultura se impõe a outra numa maneira mais ou menos organizada, como a sertaneja no meio urbano.
3. Imperialismo cultural, onde o processo de dominação é aumentado pela transferência de recursos do grupo dominado para o dominante, como no caso de copyright, lucro e músicos talentosos.
4. Transculturação, combinação de elementos estilísticos heterogêneos, dentro do sistema industrial, com o objetivo da criação de estilos musicais, que sejam o menor denominador comum, para o maior mercado possível. Na música sertaneja ocorre transculturação no caso da balada internacional, que é muito utilizada na fase moderna do gênero, a partir de 1980.

Jornalismo (Manhã), 3°período: Caio Henrique Rocha, Flávio Darin, Marcos Garcia, Marcio Kaviski, Pedro Domingues e Rafaela Bez.

4 comentários:

Celina Alvetti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Léo disse...

Podemos analisar a indústria cultural dentro do conceito de hegemonia, em que as opinões, costumes e a própria vigentes dentro de uma sociedade são dominantes não permitindo que outras opiniões e culturas sejam expressadas. Percebemos também que a indústria cultural faz com que as pessoas resgatem na ficção dos espetáculos, dos
esportes e da moda os direitos de uma vida perfeita e ideal

Celina Alvetti disse...

vejam q bacana o comentário anterior. por favor, respondam.

Celina Alvetti disse...

qto ao estudo, é bastante bom, tanto os dados da teoria como as informações sobre a origem e desenvolvimento do sertanejo. ficaria melhor ainda se articulassem mais as partes - música e os conceitos /interação.