sexta-feira, 15 de junho de 2012

O Samba e a Indústria Cultural


A indústria cultural tem como atitude a transformação do indivíduo em um simples objeto, que deve consumir a cultura divulgada nos meios de comunicação. Nesse ponto, a música, arte com um grande poder de atração para os seres humanos, ocupa um espaço importante na indústria cultural. Nesse ponto, o Samba, gênero musical extremamente popular no Brasil, se enquadra nesse aspecto.

Os filósofos frankfurtianos  Adorno e Horkheimer  concluíram que a industria cultural não tem a intenção de levantar questões, pois estas geram dúvidas e uma certa consciência crítica na sociedade. O que faz a indústria cultural é promover a cultura como consumo; o indivíduo é objeto, e deve consumir a cultura oferecida.

Dessa forma, o samba tem a característica de tornar “consumível” o estereótipo do “brasileiro comum”. Esse padrão tem origem no Rio de Janeiro, onde o samba ganhou sua forma mais popular: O malandro, vindo dos morros, pobre e com a moral discutível, é romantizado e vendido como o espírito carioca de ser, e a um nível mais globalizado, o espírito brasileiro.

Obviamente, nem todos os brasileiros vivem assim, dada a diversidade de culturas. Nesse ponto encaixa-se outra questão levantada pelos frankfurtianos: os meios de comunicação contribuem ativamente para o consumo da cultura. Considerando a força econômica de Rio e São Paulo e a origem da maior emissora de televisão (Rede Globo) ser no Rio de Janeiro, influencia na massificação de qualquer coisa. No caso do samba, a identificação das camadas menos favorecidas e a romantização dos estereótipos trouxe ao samba uma popularidade e status de referência musical, que levou inclusive à influência em outros gêneros musicais brasileiros, como a Bossa Nova e a MPB.

Assim, a presença da indústria cultural no samba se dá pela combinação entre identificação do público com o gênero e a exaltação ao estereótipo, que mesmo imperfeito e alienado á condição geral da sociedade, é visto com simpatia, tornando o samba sempre rentável para o consumo. 

Jornalismo (Manhã), 3°período: Heron Torquato, João Pedro Alves, Kamilla Ferreira, Leticia Duarte e Paulo Semicek

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

ótimo texto, parabéns!