quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Consumo e cidadania: o olhar sob a telenovela

Nestor Canclini, autor do texto "O consumo serve para pensar'', traz uma reflexão profunda a respeito do consumo. Ele pontua que não se consome apenas pelo ato de dominação implicado ao indivíduo, mas sim pelo puro e simples impulso de consumir. Nisso, é possível estabelecer uma conexão com a diferenciação entre bom senso e senso comum também; nem tudo que é aceito em consenso é benéfico.

Como o assunto é recorrente e foi discutido em sala, não há como fugir das telenovelas. Com os episódios finais de "Avenida Brasil" tendo índices de audiência consideráveis, novamente se retorna o debate de um aspecto educacional que o senso comum diz que a novela deve ter. Essa visão se contradiz com o princípio básico do texto de Canclini, que é o consumo. Como produto de entretenimento, estudado e lançado de acordo com as preferências do público, a novela cumpre o seu papel de entreter. No entanto, confunde-se as coisas quando se afirma que a novela deve educar.

O papel de educar cabe à escola, ao professor. É a educação que dá a clareza ou não para se observar se há a dominação em prol do consumo. Quanto mais os papéis se confundirem, menos atento ao riscos do consumo estará o indivíduo.

Quanto a questão da cidadania, entra-se novamente no aspecto educacional da telenovela. Ainda que sua função principal seja o entretenimento, para conseguir isso os autores se utilizam de questões sociais e as retratam, ainda que seja um recorte mínimo e provavelmente impreciso da realidade. No caso de Avenida Brasil, coloca-se que em questão o trabalho infantil em lixões. É um tema que sensibiliza, desperta o emocional e cativa o público, mas trata-se de uma ficção, que por mais parecida que seja com a realidade, ainda prima pelo entretenimento.

Paulo Semicek, Heron Torquato, Letícia Duarte, Kamilla Ferreira e João Pedro Alves - Jornalismo - 4°período/manhã

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

relevante a questao da educação no debate. a mediação da midia, atualmente, implica considerar importante a sua função educativa.