quinta-feira, 7 de março de 2013

Comunicação: conceitos, fundamentos e história

 
João Batista Perles - Professor de Jornalismo Especializado nas Faculdades Integradas de Três La- goas (AEMS)-MS.
 

Alunas Jornalismo Noite: Carolina Chab, Jhenifer Valentim, Stephani Diedrich, Jessica Santos e Isabela Iurk

Comecemos por falar brevemente sobre o nosso objeto de estudo: o processo de co- municação. Ele representa um dos fenô- menos mais importantes da espécie humana. Compreendê-lo, implica voltar no tempo, buscar as origens da fala, o desenvolvimento das linguagens e verificar como e por que ele se modificou ao longo da história.
A linguagem, a cultura e a tecnologia são elementos indissociáveis do processo de co- municação. Quanto à primeira, Tattersall (2006, p. 73) afirma categoricamente que “[...] se estamos procurando um único fator de liberação cultural que abriu caminho para a cognição simbólica, a invenção da lingua- gem é a candidata mais óbvia.” Quanto aos outros dois, nos parece pertinente concordar com Mayr (2006, p. 95) ao propor que “Uma pessoa do século XXI vê o mundo de ma- neira bem diferente daquela de um cidadão da era vitoriana” e que “Essa mudança teve fontes múltiplas, em particular os incríveis avanços da tecnologia.” Souza Brasil (1973, p 76), mais incisivo, enxerga a cultura como subordinada às formas de comunicação
Ora, se a existência da cultura está su- bordinada a forma de comunicação do tipo humano, isto é, comunicação simbó- lica, temos que admitir que os fundamen- tos da comunicação precisam ser bus- 

"De imediato, podemos classificar a comunicação conforme propõem os dicionários, assim o termo seria apenas mais um substantivo feminino: “1. ato de comunicar; informação, aviso; 2. passagem, caminho, liga- ção”. (Rocha 1997, p.154). Mas tal classificação, além de insuficiente para descrever o fenômeno, se serve do longo processo de desenvolvimento da linguagem para simplificar um dos fenômenos mais importante da socialização, cujos limites sempre estão por vir, conforme ressalta Baitello Júnior (1998, p.11):
Hoje o homem tenta lançar pontes (ainda que hipotéticas) não apenas sobre a origem do universo, sobre o chamado big bang, mas também sobre as raízes remotas dos códigos da comunicação humana. Constata que a capacidade comunicativa não é privilégio dos seres humanos; está presente e é bastante complexa em muitos outros momentos da vida animal, nas aves, nos peixes, nos mamíferos, nos insetos e muitos outros.
Resgatando o termo em sua etimologia Marques de Melo (1975, p. 14) lembra que “comunicação vem do latim ‘communis’, comum. O que introduz a idéia de co- munhão, comunidade” (grifos do autor).
Mas, se falamos em “processo de comunicação”, cabe também uma rápida inspeção no termo “processo”. Berlo (1991, p. 33) assim descreve sua aceitação do termo:
Um dicionário, pelo menos, define “pro- cesso” como “qualquer fenômeno que apresente contínua mudança no tempo”, ou “qualquer operação ou tratamento contínuo”. Quinhentos anos do nasci- mento de Cristo, Heráclito destacou a im portância do conceito de processo, ao de- clarar que um homem não pode entrar duas vezes no mesmo rio; o homem será diferente e assim também o rio. [...] Se aceitarmos o conceito de processo, veremos os acontecimentos e as relações como dinâmicos, em evolução, sempre
em mudança, contínuos. [...] Não é coisa estática, parada. É móvel. Os ingredientes do processo agem uns sobre os outros; cada um influencia todos os demais.
Acolhendo o pressuposto de Berlo, Sousa (2006, p. 28) assume o conceito de comu nicação como processo, em razão de que o termo “designa um fenômeno contínuo [...] com sua evolução em interação”.
Não faltaram, ao longo dos estudos da comunicação, contribuições coerentes à compreensão de fenômeno tão complexo. Seus fundamentos científicos encontram-se ancorado na biologia mencionada por Teles (1973, p. 19) para quem
Uma rocha se comunica, à medida que suas partículas nucleares se atraem ou se repelem na intimidade de sua estrutura atômica.
Como se vê, comunicação implica movimento. Por convenção, chamou-se vida ao automovimento imanente. 
—O que se comunica se conhece?
—O que se conhece existe?
[...] A possibilidade da transmissão do conhecimento é assunto gnosiológico e é, também, assunto de comunicação.
Também Marques de Melo (idem, p.31) traça um rápido panorama da comunicação por meio dos diversos conceitos: o científico, o filosófico e o estrutural. Adotando este último para trilhar, o autor resume a co- municação enunciando: “Comunicação é o processo de transmissão e recuperação de informações”, mas adverte para o fato de que “[...] ao analisar o fenômeno comunicativo, cada ciência e corrente filosófica utiliza a sua própria perspectiva, a sua própria terminologia, os seus conceitos específicos”.
Reconhecemos tais contribuições como fundamentais à compreensão do fenômeno comunicativo e, ampliando tais perspectivas, nos parece pertinente, até em função daquilo que se tem estudo nos últimos anos, men- cionar a existência de pressupostos sócio- interacionistas-discursivos difundidos pela escola francesa, cujos axiomas foram inau- gurados pelo lingüista russo Mikhail Bakhtin e que deságuam no princípio do dialogismo. Mas aqui não discutiremos tais pressupos- tos em função do objetivo do trabalho e seus limites espaciais, embora a tenhamos como mais uma caminho alternativo para pavimen- tação do campo espistemológico da comunicação.

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

ainda que pertinente, a postagem está extensa demais, fora dos padrões solicitados (uns 1000 caracteres).
além disso, no momento o objetivo é buscar autores que tenham conceituado comunicação, não retrabalhado conceitos de diferentes autores, como é ocaso. por favor, substituam a postagem.