segunda-feira, 11 de março de 2013

Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação



“É preciso notar que nem toda a comunicação, entendida como troca de mensagens, comporta informação. Um poema, uma música, uma canção podem comunicar e exaltar sensações, estados de alma, emoções, mas, geralmente, não informam, a menos que sejam emitidas com um propósito informativo, diferente do seu propósito original. Por exemplo, uma canção serviu como senha para desencadear as operações militares na Revolução Democrática Portuguesa de 25 de Abril de 1974. Ou seja, a canção informou os revoltosos de que as operações deviam iniciar-se. Suponha-se, porém, que um professor diz a um aluno que o exame da sua classe se realiza num determinado dia, a uma determinada hora. Esta mensagem é informativa, porque transporta uma carga
útil de informação. A situação narrada mostra também que a partilha de informação necessita de um suporte comunicacional para se efectivar. Isto é, a informação depende da comunicação. Não há informação sem comunicação. Mas, como vimos, num sentido lato pode existir comunicação sem haver troca de informação (por exemplo, quando várias pessoas partilham experiências).
Vista do ponto de vista da Teoria Cibernética (ou Teoria da Informação), a informação é uma medida da incerteza ou da entropia num sistema (Littlejohn, 1988: 153). A informação é quantificável e lógica.
... a comunicação é mais eficaz quantos mais significados proporcionar, ou seja, quanto mais polissémica for e quanto mais sensações e emoções despertar. Os Lusíadas são muito comunicantes mas pouco ou nada informativos. Quando se pretende usar a comunicação para fazer passar informação, a mensagem será tanto mais eficaz quanto menos significados possibilitar. A informação, como se viu, reduz a incerteza num sistema, mas também altera o sistema. As mensagens têm impacto sobre o receptor. A comunicação resulta em mudança, pois nada permanece igual. A persuasão é o processo de induzir mudanças através da comunicação (Littlejohn, 1978: 162-201). Quando comunicamos intencionalmente para influenciar, entramos no domínio da comunicação persuasiva , a que se recorre, por exemplo, na publicidade e propaganda, mas também na comunicação interpessoal. Quando informar é o objectivo principal, circunscrevemo-nos ao domínio da comunicação informativa, normalmente patente no jornalismo, por exemplo, mas também quando pedimos informação a alguém, no âmbito da comunica-
ção interpessoal. Quando entreter é o objectivo principal da mensagem, falamos de comunicação de entretenimento , observável, por exemplo, na ficção audiovisual, ou quando alguém conta uma anedota num grupo de amigos. Quando comunicamos as tradições da nossa cultura, por exemplo, através da música, do folclore ou do artesanato, é de comunicação popular que se trata.
Há, efectivamente, muitas formas de categorizar a comunicação e estas nem sequer não são as únicas...”

Jorge Pedro Sousa - Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação e dos Media. Porto 2006
http://bocc.unisinos.br/pag/sousa-jorge-pedro-elementos-teoria-pequisa-comunicacao-media.pdf

Isabella Yurk, Jessica Dias, Stephani Mantovani, Carolina Chab

 

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