domingo, 16 de junho de 2013

Diretor de produção e programação da RPCTV fala sobre a rotina de um jornalista


Carlyle Ávila explica sobre sua rotina
Carlyle Ávila é Diretor de Produção e Programação da RPCTV, canal de televisão integrante do grupo GRPCOM de comunicação. Na empresa há 25 anos, Ávila já trabalhou como repórter, produtor, coordenador de produção, chefe de reportagem e gerente de jornalismo. Formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1983, também acumula no currículo MBAs, especializações, Mestrado e diversos cursos na área. Nesta ocasião, Carlyle Ávila conta um pouco mais sobre a rotina profissional de um jornalista de televisão.

1 – Como a imagem do jornalista mudou ao longo dos anos?
“Há vinte anos, quando eu comecei, o jornalista era visto como um bêbado. Se você não bebesse bastante, jamais seria considerado um bom jornalista. A reunião de pauta e tudo mais eram feitos em um boteco, era o local de discussão. [...] Com o processo industrial dos anos 90, as coisas passaram a ser mais organizadas, de certa forma, e isso acabou tirando um pouco essa característica de boêmios. Na televisão era ainda mais complicado, todos os fechamentos eram mais demorados, as imagens não eram o que são hoje e os processos, muito menos, principalmente por ser usado película, enquanto hoje já existem os VTs, que são um tipo de fita. E, claro, a carga horária de um jornalista hoje é muito grande, mas pelo menos a notícia chega quatro vezes mais rápido do que antes. ”

2 – Qual a rotina de um jornalista de televisão?
“Na TV, cada jornal tem sua mecânica, cada profissional tem seu horário fatiado. O que estabelece sua rotina é o seu contrato. Se você foi contratado para ser editor, o editor tem uma rotina. O editor-chefe do Bom Dia, Paraná, por exemplo, precisa estar aqui às 4 da manhã. [...] Essas são situações sob controle, mas a gente não tem controle sob as coisas que acontecem. Vamos supor que você está fazendo uma reportagem investigativa, não tem horário. Se você não está disposto a fazer isso, você não vai ser um bom profissional. Não vai fazer diferença, vai ser um profissional mediano.”

3 – Como acontece o relacionamento fonte-jornalista?
“Bom, se eu sou uma fonte sua, eu vou falar com você quando eu posso, não quando você precisa. [...] Uma fonte, obrigatoriamente, ela está contra alguém. É por isso que é mais fácil você conseguir uma fonte para um produto mais consolidado de impresso, TV ou rádio, porque ele sabe da repercussão que aquilo vai ter se for noticiado.”

4 – Existe alguém que atua como gatekeeper na produção de um telejornal?
“Eu acho que esse conceito não é muito atual. Hoje os veículos de comunicação que são mais organizados e estruturados têm princípios e editoriais. Uma organização que é muito grande não tem mecanismos de controle, “isso pode, isso não pode”, não tem como. Há um conjunto de princípios que define aquela organização. Ninguém vai falar para você “faça isso, faça aquilo”, você tem que fazer o melhor jornal possível dentro do que você pode.”

5 – Quais são suas sugestões para os “focas”?
“O que é mais importante para quem vai entrar no mercado de trabalho são suas experiências. O importante na universidade é sair do quadrado, lá é o momento de inovar, de ser arrojado. É o diferencial. Jamais a gente vai contratar alguém que não acrescenta nada, porque o produto precisa se renovar. Você tem que ter o olhar crítico, criar outras coisas, é isso que as empresas estão buscando.”