quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Teoria Culturológica segundo Edgar Morin


"[...] A sua característica fundamental é o estudo da cultura de massa, distinguindo os seus elementos antropológicos mais relevantes e a relação entre o consumidor e o objeto de consumo.

Por conseguinte, a teoria culturológica não diz diretamente respeito aos mass media e, muito menos, aos seus efeitos sobre os destinatários: o objeto de análise que, programaticamente, se procura atingir é a definição da nova forma de cultura da sociedade contemporânea. O autor e o texto que “inauguraram” esta corrente – Edgar Morin e o seu L’Esprit du temps (A indústria cultural) de 1962 são muito explícitos quanto a isso.

A cultura de massa é “uma realidade que não pode ser tratada a fundo senão com um método, o da totalidade. [...] Não é admissível que se acredite poder reduzir a cultura de massa a uma série de dados essenciais que permitiram distingui-la da cultura tradicional ou humanística. Não se pode reduzir a cultura de massa a um ou a alguns dados essenciais. [...] Penso que devemos tentar ver aquilo a que chamamos “cultura de massa” como um conjunto de cultura, civilização e história” (Morin, 1960, 19).

[...]

A questão simplista de se saber se são os meios de comunicação de massas que criam o seu próprio público ou se é este que determina o conteúdo dos meios de comunicação, é desviante: “o verdadeiro problema é o da dialética que existe entre o sistema de produção cultural e as necessidades culturais dos consumidores” (Morin, 1962, 40).

Ao contrário de outros sistemas culturais anteriores, que institucionalizavam uma fase formal de aprendizagem, a eficácia da cultura de massa baseia-se na sua adequação às aspirações e às necessidades existentes: segundo Morin, a cultura de massa encontra o seu terreno ideal onde o desenvolvimento industrial e técnico cria novas condições de vida que desagregam as culturas anteriores e fazem emergir novas necessidades individuais. “Os conteúdos essenciais – da cultura de massa – são os das necessidades privadas, afetivas (felicidade, amor), imaginárias (aventuras, liberdade) ou materiais (bem-estar)” (Morin, 1962, 161): à medida que as transformações sociais incrementam tais necessidades, essa cultura difunde-se, contribuindo, por seu lado, para enraizar este sistema de valores. A cultura de massa coloca-se, assim, como uma ética do loisir: o consumo dos produtos torna-se, simultaneamente, autoconsumo da vida individual e auto-realização. A cultura de massa é uma moderna religião da salvação terrena que contém em si as potencialidades e os limites do seu próprio desenvolvimento.

De fato, a cultura de massa oferece de uma forma fictícia, tudo aquilo que é suprimido, sistematicamente, da vida real: tornando irreal uma parte da vida dos consumidores, acaba por transformar o espectador num fantasma, projetando “o seu espírito na pluralidade dos universos imaginados ou imaginários, dispersando a sua alma nos inúmeros duplos que vivem por ele.

[...]

Em conclusão, a cultura de massa contribui para enfraquecer todas as instituições intermediárias – desde a família até a classe social – para constituir um aglomerado de indivíduos – a massa ao serviço da supermáquina social (Morin, 1962, 178)."

Bibliografia:
1. WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Editora Presença, 2006.

Fonte: http://estudanteocioso.wordpress.com/2012/07/26/teoria-culturologica/

Grupo: Amanda Maria Paes Rodrigues, Jessica Mirely, Jennifer Sacerdote, Leanderson Sérgio Mendes Moreira, Marina Creplive.

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

ainda que tenha relação com o conteúdo da disciplina, não foi o proposto na atividade.
o que foi proposto - postar um conceito de comunicação.
por favor, pesquisem um conceito de comunicação e postem, citando a fonte pesquisada.