quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Teoria dos Efeitos Limitados – Abordagem Empírica de Campo



"A perspectiva que caracteriza o início da pesquisa sociológica empírica sobre as comunicações de massa diz globalmente respeito a todos os mass media do ponto de vista da sua capacidade de influência sobre o público. Nesta questão geral está, contudo, já inserida a atenção à capacidade diferenciada de todos os mass media que exercem influências específicas. O problema fundamental continua a ser o dos efeitos dos meios de comunicação, mas já não se coloca nos mesmos termos das teorias anteriores. O rótulo “efeitos limitados” não indica apenas uma diferente avaliação da quantidade de efeitos; indica, igualmente, uma configuração desses efeitos qualitativamente diferente. Se a teoria hipodérmica falava de manipulação ou propaganda, e se a teoria psicológica-experimental tratava de persuasão, esta teoria fala de influência e não apenas da que é exercida pelos mass media, mas da influência mais geral que perpassa nas relações comunitárias e de que a influência das comunicações de massa é só uma componente, uma parte.
O “coração” da teoria sobre os mass media ligada à pesquisa sociológica de campo  consiste, de fato, em associar os processos de comunicação de massa às características do contexto social em que esses processos se realizam. Com este ponto de vista se completa a revisão crítica da teoria hipodérmica.
Na teoria dos mass media de inspiração sociológica empírica, é possível distinguir duas correntes: a primeira diz respeito ao estudo da composição diferenciada dos públicos e dos seus modelos de consumo de comunicações de massa; a segunda – e a mais significativa – compreende as pesquisas sobre a mediação social que caracteriza esse consumo.
As ligações contínuas entre: a. a finalidade prática da pesquisa (saber por quemotivo as pessoas ouvem certos programas), b. a sua relevância teórica (individualizar a melhor conceitualização dos problemas), c. a necessidade de uma metodologia adequada (delinear um projeto global da pesquisa, coerente com a base conceptual).
Existem três processos diferentes para se saber o que um programa significa para o público. Se possível, deveriam ser utilizados em conjunto.
Análise de conteúdo
O primeiro processo consiste em partir de uma análise do conteúdo do programa, o que permite tirar conclusões acerca daquilo que os ouvintes extraem do conteúdo ou, pelo menos, eliminar algumas outras possibilidades. É certo que se pode supor que as pessoas não ouvem colóquios sobre a históriada arte grega para obterem conselhos sobre a maneira de cozinhar [...]
Características dos ouvintes
segundo processo de se saber o que o programa significa para os ouvintes é fazer uma análise atenta e diferencial dos vários grupos de ouvintes. São conhecidas as diferenças psicológicas existentes entre sexos, idades e grupos sociais. Se um programa é escutado predominantemente por um grupo social, é possível compreender-se a natureza do seu atrativo. Suponhamos, por exemplo, o caso de duas comédias: se a audiência de uma é constituída por pessoas com um nível de escolaridade mais elevado do que o da audiência da outra, pode deduzir-se que a primeira comédia oferece um tipo de humor mais sofisticado do que a segunda [...]
Estudos sobre as satisfações
Metodologicamente, a análise das satisfações é uma das três abordagens complementares ao problema do significado que um programa tem para o público [...]
Por conseguinte, a pesquisa que tem por objetivo o estudo do tipo de consumo que o público faz das comunicações de massa, apresenta-se, desde o início, como uma análise conceitualmente mais complexa do que um mero levantamento quantitativo. É impossível separar esse aspecto dos que lhe estão associados, e que são muitos, inclusive o dos efeitos. Para se descrever estes últimos, é necessário primeiro saber quem prefere um certo meio de comunicação e porquê. A este propósito, Lazarsfeld (1940) fala – a respeito da rádio, embora o discurso possa ser generalizado – de efeitos pré-seletivos e de efeitos posteriores. Em primeiro lugar, a rádio seleciona o seu público e só posteriormente exerce a sua influência sobre esse público. A análise dos fatores que explicam as preferências por um determinado meio ou por um gênero específico relaciona-se, portanto, estreitamente, com a análise da estratificação dos grupos sociais que revelam tais hábitos de consumo.
Entre esses temas, considera-se, por exemplo, o problema da variação do consumo de comunicações de massa segundo as características do público, tais como a idade, o sexo, a profissão, a classe social, o nível de escolaridade, etc. Um outro aspecto muito analisado é a permanência, entre o público, de modelos de expectativas, preferências, avaliações e atitudes para com osmass media, de acordo com as características socioculturais que estruturam a audiência.
Devido à quantidade de dados e a uma certa fragmentação na estruturação dos trabalhos, não e possível fornecer sínteses exaustivas e conclusivas sobre este tipo de pesquisa. Há, no entanto, uma indicação de fundo que é de realçar: o estudo das comunicações de massa – mesmo apenas no que respeita ao tema dos efeitos – aproxima-se cada vez mais de um estudo sobre os processos e os fenômenos comunicativos socialmente vinculados. Por outras palavras, para se compreender as comunicações de massa, é necessário centrar a atenção no âmbito social mais vasto em que essas comunicações operam e de que fazem parte.
Por conseguinte, a teoria dos efeitos limitados deixa de salientar a relação causal direta entre propaganda de massas e manipulação da audiência para passar a insistir num processo indireto de influência em que as dinâmicas sociais se intersectam com os processos comunicativos.
Bibliografia:
1. WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Editora Presença, 2006."
Grupo: Giulie Hellen Oliveira de Carvalho, Lana Gillies e Letícia Joly.

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

ainda que tenha relação com o conteúdo da disciplina, não foi o proposto na atividade.
o que foi proposto - postar um conceito de comunicação.
por favor, pesquisem um conceito de comunicação e postem, citando a fonte pesquisada.