segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A ribeirinha sonhadora


Marla Cintia Romio nasceu em maio de 1983 na beira do Rio Araguaia, em Barra do Garças, um município do Mato Grosso. Aos 14 anos foi morar sozinha, a 400 Km de seus pais, no estado de Goiás para estudar. Nesse percurso chegou a morar em Brasília durante um ano, pois havia ganhado uma bolsa em um curso pré-vestibular. Marla sempre gostou de saúde e comunicação e por isso aos 17 anos começou a cursar Fonoaudiologia. Conforme estudava, percebia que sua paixão estava nos assuntos relacionados ao sistema nervoso central, então decidiu abandonar a Fono e voltou a prestar vestibular, dessa vez para medicina.

Com 21 anos, partiu sozinha para mais longe, foi cursar medicina em Santa Catarina, na Universidade Regional de Blumenau. Ela conta que enfrentou dificuldades com a diferença entre as culturas, mas que com o tempo se adaptou a situação. Nos seis anos que permaneceu na universidade, Marla participou também do coral, o que a ajudou a criar vínculos. Sempre interessada na área da psiquiatria, fez estágios prolongados em hospitais psiquiátricos para observar a rotina. Depois de um ano de formada, a mato-grossense passou em um processo seletivo para uma bolsa de especialização em psiquiatria em Curitiba. Foi mais um choque cultural superado, Marla se estabeleceu bem por aqui e trabalha com psiquiatria no dia-a-dia.

Segundo a médica, o dia a dia da profissão exige muita estrutura emocional para receber o que o paciente e a família do paciente trazem. Mas Marla ressalta que é gratificante ver uma pessoa com uma patologia mental – que poderia ser enxergada como uma limitação – estar reabilitada e levar sua vida normalmente.

A ribeirinha sempre gostou muito de estudar e seu principal hobby é ler. Por isso, consome materiais impressos e online - como livros, jornais e revistas – voltados a comportamento humano. Seu objetivo é entender cada vez melhor como as pessoas pensam e como elas funcionam. Marla explica que como sua rotina é corrida seu principal meio de se informar é a rádio Band News, a qual escuta de manhã no carro.

Ao falar da mídia, a doutora comenta sobre a cobertura da vinda dos médicos cubanos para o Brasil. Ela ressalta que  episódio foi retratado de duas formas. De um lado, o Governo Federal no seu espaço nos  meios de comunicação trouxe o contexto positivo, passando uma imagem boa para população. De outro lado, a grande mídia bombardeou o programa com críticas. Marla explica que não é contra a vinda de novos médicos, contanto que tenham seus diplomas revalidados no Brasil e possam atender bem os pacientes. Ela ainda ressalta que depois de trabalhar em diversas unidades públicas, o que identifica como maior problema é a estrutura e não o número de profissionais.

Aos 30 anos, a doutora Marla afirma ter encontrado alguém que acredita nos seus sonhos e conta que vai se casar no final do ano. Ela continua estudando e tem planos de se especializar em psiquiatria da infância e adolescência. Além disso, Marla Cintia Romio pretende prosseguir seus projetos acadêmicos na medicina, mas afirma que não é fácil fazer isso no Brasil.

Durante seu percurso acadêmico, com diversos deslocamentos territoriais, Marla precisou se adaptar à novos ambientes e com isso, alterou sua identidade. Assim, percebe-se aí a definição de sujeito pós-moderno, de Stuart Hall, em prática. Para ela foi impossível carregar uma identidade fixa, pois as identidades contraditórias de cada lugar que passava entravam em colapso. Para se adaptar aos novos rumos que sua vida tomava, Marla foi criando uma identidade que era o conjunto do seu repertório. Além disso, a doutora conta que cada paciente acrescenta ao que ela é e ao que quer se tornar “a relação que eu tenho com eles me sensibiliza muito, me torna uma pessoa melhor”.

Equipe: Amanda Louise, Bruna Carvalho e Manuella Pires.
4º Período - Jornalismo Manhã


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