quinta-feira, 28 de novembro de 2013

''O legal é ser monótono''

César Pimenta Quinoe tem 41 anos, ainda jovem como se define o porteiro de um condomínio de classe média em Curitiba caminhava solitário pelo shopping analisando as vitrines. " O natal já está aí, como o ano passou rápido", diz enquanto continua caminhando com olhar apaixonado por todas as luzes e brilhos do fim do ano. Casado 18 anos, Quinoe tem 2 filhos, um de 6 e outro de 17 anos. O mais velho, toca em uma banda de rock com os amigos, o que segundo César é parte do que o faz se sentir jovem. Uma vida tranquila, de marido, pai e trabalhador, o homem conta ainda com outra definição que o faz emergir no seu passado: religioso.
Ainda criança, perdeu o pai em um acidente de trânsito e viu sua mãe se transformar em uma mulher fechada e deprimida. Buscou ajuda na fé também para continuar os estudos, que terminaram no primeiro ano do ensino médio. Fez parte do coral da igreja, ouviu muitos testemunhos de vidas transformadas pela "obra" e explica, sabia que um dia seria a sua vez. No entanto, os 18 anos, influenciado por amigos que o incentivavam a faltar o culto para ir a baladas, se envolveu em drogas. Um período curto, lembra, mas muito marcante. A revolta com o que a vida fez a seu pai e a sua mãe finalmente vinha toda a tona, as drogas liberavam tudo o que ficara em espreita, esperando, dormindo. Foram dois anos. Nesse período porem, não conseguiu desligar-se totalmente da sua religiosidade, e pelo menos uma vez ao mês ainda ia a igreja, e aos poucos foi voltando. "Foi quando eu fui a casa de uma irmã que diziam estar com o diabo no corpo, aconteceu. Eu queria ir até lá, rir dela, e agir como um garoto de 20 anos que eu era. Perguntar ao diabo por que ele me escolheu pra sofrer, já não tinha resposta de Deus. Eu achava que era tudo farsa, mas quando cheguei lá, e não precisa acreditar em mim, a mulher se retorcia, gritava, afundava e flutuava na cama. Aí ela começou a gritar meu nome, e eu nem conhecia ela. Comecei a chorar, e a mulher gritava que eu estava no caminho certo para o inferno." A cena o fez mudar, voltou a igreja e ajudou muitas pessoas, assim como viu muitos outros exorcismos. As pessoas, diz César, não acreditam mais nas coisas sem que tenham visto com seus próprios olhos, e foi o que fez. Afastou-se de vez das más influências e, aos 23 anos conheceu sua atual esposa, na igreja. Casaram-se no mesmo ano.  "As pessoas acham que tem que ter a lida louca, mas eu já vi muita coisa nesse meus poucos anos de vida, e o legal é ser monótono. Comer frango e maionese no domingo, deitar do lado da minha esposa todos os dias depois do trabalho e saber que isso não vai mudar nunca."
Hoje, cursando o curso de teologia pago pela igreja que frequenta, segue os passos para se tornar pastor, e acredita que poderá pregar tudo o que Deus fez na sua vida, e assim ajudar as outras pessoas.

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