sexta-feira, 15 de novembro de 2013

“Olê, olê, olá Silvio Santos vem aí!”

       Aos 74 anos, a aposentada Rufina Oldoni conta que a televisão entrou em sua vida aos 42 anos, “O Vino (esposo) comprou a TV em 1971, era pequena de 32 polegadas e só tinha a Manchete e o SBT”.  Com o passar dos anos essa relação, entre ela e o aparelho, estreitou-se, e hoje, a viúva que mora sozinha em uma casa de madeira e lajotas vermelhas na pequena Pato Branco, no interior do Estado, convive com o aparelho como forma de interação, “Eu não gosto da casa quieta, então eu ligo a TV”. A televisão, sempre ligada na sala, á faz companhia durante as atividades cotidianas como cozinhar, fazer atividades manuais e esperar o sono chegar “Enquanto eu faço a janta eu deixo a TV ligada pra ver o jornal e a novela depois”.

     Ela conta que sua rede de televisão preferida é o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), porque suas novelas preferidas passam no canal na parte da tarde, “Eu assisto a Maria do Bairro e A Madrasta”, conta. Aos domingos, o dono do canal, Silvio Santos, tem uma série de horários, que faz à tarde da senhora mais animada “Ah, eu começo a ver na hora do Roda á Roda e termino umas 22, 23 horas”.  Os jogos do apresentador, como Roda á Roda e Qual é a música, entretêm a senhora “A gente quer responder e quando acerta fica feliz”. A senhora também confere os números da Telesena, pois o “Tio Silvio”, como o apresentador é carinhosamente chamado por ela, diz que é possível ganhar até uma casa como prêmio pela compra, “Eu compro a Telesena faz anos, e eu quero ganhar algum dia”.

    Além do sonho de ganhar e ver seu nome falado na televisão pelo apresentador, ela ainda afirma que “joga” junto com os candidatos que vão até o programa, pois eles “Parecem que não sabem nada, nenhuma palavra que aparece no Roda á Roda eles acertam”. Aos domingos, pela tarde, é comum encontrar a senhora, sentada em seu sofá branco, vibrando com os participantes. Porém, ela afirma que não gosta quando o apresentador faz brincadeiras de “mau gosto” com os participantes que vão até o programa, “Quando ele começa com essas besteiras eu desligo (a TV) e vou dormir”.

O Consumo Cultural de Canclini

      Segundo Canclini, o Consumo Cultural “É um conjunto de processos socioculturais em que se realizam a apropriação e os usos dos produtos”. (CANCLINI; 1993; P. 24). Podemos ver esta teoria de maneira bastante evidente com Dona Rufina, porque a mídia, no caso a televisão, tem grande influência na compra dos produtos vendidos pelas empresas de Silvio Santos e pela televisão.

        Por ver na televisão os desejos de outras pessoas se realizando, ela acredita que também pode realizar os seus, ao comprar um carnê e enviar suas respostas á emissora. A mensagem é transmitida de forma clara pelo emissor, “Você pode ser como uma atriz de novela se comprar tal produto” ou “Se comprar o carnê, suas dívidas estarão sanadas e você ainda pode ganhar um carro”.

      Para uma senhora aposentada, que mora sozinha e passa á tarde entre os afazeres do lar, escutar o jingle “Olê, olê, olá Silvio Santos vem aí!” é uma hora importante, aonde os problemas e a solidão são esquecidos e apenas se escutam as risadas em um entardecer de domingo, para que a semana comece com alegria e mantenha-se assim, até que o próximo sorteio da Telesena aconteça, e ela renove suas esperanças, de enfim, ser chamada ao palco pelo “Tio Sílvio”.

Equipe: Gustavo Lavorato, Karla Fernandes, Mariana Papi e Rafaela Oliveira. - Jornalismo - 4° Período - Manhã. 


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