segunda-feira, 9 de junho de 2014

Experiência na África

 

Luis Carlos Xavier, 74 anos, aposentado, morou em Angola na África por dois anos, e durante entrevista, ele nos contou um pouco de como foi viajar para um país totalmente diferente do nosso, tanto em cultura, como em estilo de vida, língua e costumes. Luis conta que foi a Angola a convite de uma empresa israelita que prestava serviços ao governo. Logo que desembarcou no país, o aposentado já sentiu as diferenças culturais. “Logo na descida no aeroporto tomei um choque, você realmente percebe que existe outro mundo, tudo diferente daquilo que você viveu até então... a começar pela cor da pele, ali você é o diferente, você sofre racismo, eu senti na pele o que é ser diferente”.

  O fato de Angola ter passado por uma guerra civil, tornou a adaptação mais complicada para Luis. “Tinha acabado de desembarcar em um lugar onde uma guerra civil de 35 anos havia terminado há poucos meses, vi o rastro da destruição com meus próprios olhos. As ruas ainda tinham o cheiro e as marcas da guerra que desolou o país. Pessoas mutiladas, placas de minas em toda parte e o risco eminente cercavam os ambientes”. Foram muitos os desafios que Luis teve que enfrentar durante sua estadia em Angola. A rotina de trabalho dos angolanos, por exemplo, era muito diferente que a dos brasileiros, “Fui contratado para organizar a logística e fazer as compras da construtora, e não foi fácil me acostumar com a comida, a cultura, e principalmente, a falta de informação dos angolanos”, conta o aposentado.

  Devido às dificuldades aparentes que os angolanos tinham em exercer o trabalho, Luis passou a ensinar o que podia aos colegas. “No trabalho eles conseguiam montar uma metralhadora e desmontar em três minutos, mas não sabiam o que era uma planilha do Excel”... “Nossa função foi mais de professor, ensinando o povo de lá a trabalhar no ritmo habitual a que estávamos acostumados no Brasil”. A rotina de trabalho era longa e tardia, bem diferente do ritmo acelerado em que as coisas geralmente ocorrem no Brasil. “O trabalho era moroso, algo que em duas horas você estava acostumado a realizar no Brasil, em Angola durava dois dias pra fazer”, afirma Luis. Apesar de ter passado por muitos desafios e dificuldades, o aposentado conta que, ter passado dois anos em outro país, foi uma experiência de aprendizado e enriquecimento, tanto pessoal como profissional. “Foram dois anos incríveis que passei em Angola. Fiz vários amigos que me enriqueceram muito devido a troca de conceitos, de estilos e de aprendizado. Todo esse tempo que passei fora, foi muito importante e gratificante para mim, hoje levo lições para a vida que aprendi com os angolanos e com a alegria que eles têm, apesar de terem passado tantos anos reféns de uma guerra”.



Jornalismo 2º período
Caroline Ribeiro
Danielle Spielmann
Manoela Campos

Talento argentino em solo paranaense


Muito se fala sobre os turistas vindos à Curitiba por conta da Copa do Mundo, mas pouco se vê. Neste caso, ouve. Porém, auxiliado pela voz, usando nariz de palhaço, um bom violão plugado ao pequeno amplificador e um instrumento de sopro pouco conhecido, o rapaz de 26 anos sentado em um dos bancos da Praça Santos Andrade se faz notar. Aos ouvidos de quem por ali passa, chega o dedilhado preciso de clássicos da música mundial, devidamente acompanhados pela voz grave e ao mesmo tempo suave de Franco Carbone.

Nascido em Buenos Aires, Argentina, e com pais descendentes de italianos, Franco queria viajar. Em parte influenciado pelo evento esportivo dos próximos dias, escolheu o Brasil. “Queria fazer uma viagem e, bom, quando melhor que na Copa do Mundo para vir para cá?”*, ele diz em tom brincalhão antes de assumir que a capital paranaense não era a primeira opção. “Na verdade queria ir ao Rio de Janeiro, mas aqui estou em Curitiba e espero ficar muitas semanas”.

Esse tempo que Franco quer ficar no Brasil e o desejo de continuar a viagem por outras capitais brasileiras muito dependem da contribuição  do curitibano. Para isso, o homem,  que ainda pequeno começou a estudar música em conservatórios argentinos, trouxe na mala o violão e o kazoo - instrumento de sopro de origem africana que acrescenta um tom de zumbido à voz. Através do instrumento peculiar e das cordas de nylon do violão, os acordes muito bem executados dão vida a clássicos dos Beatles. 

O público entra em cena e se mostra interessado. Seja por meio dos olhares curiosos, das contribuições, dos aplausos ou dos muitos sorrisos, a satisfação se torna visível e obriga o músico a se arriscar no idioma que não lhe é nativo e agradecer em um português carregado de sotaque. “Gostaria de aprender português para poder falar mais com vocês”, ele lamenta. Entretanto, Franco não tem muita dificuldade em entender nossas perguntas e contar-nos um pouco mais sobre sua vida. 

Além de cantor, é também ator. “Penso que o teatro seja o mais importante de tudo”, ele afirma. Em seu país natal, além de manter uma banda de rock com quem compõe músicas próprias, Franco também participa de um trio que canta e toca tango. Apesar disso, o músico prefere não apresentar para os curitibanos o característico ritmo argentino e ao invés disso, insiste em músicas do famoso quarteto britânico e em clássicos como What a wonderful world e, claro, não deixa de fora músicas italianas que crescera ouvindo sob a influência da família.

Em Curitiba há uma semana e despreocupado sobre a data de partida, Franco Carbone afirma que pretende continuar tocando para a capital "belíssima" até pelo menos a passagem dos quatro jogos da Copa do Mundo que serão disputados em solo paranaense. Mas, engana-se quem pensa que todo o apreço pelas cidades e povo brasileiro farão de Franco um torcedor do Brasil nesse mundial.  "Penso que é difícil, mas espero que a Argentina", ele responde entre risos quando questionado sobre qual seleção levará a taça.

*Todas as citações acima foram traduzidas e adaptadas do espanhol para o português.

Por Verônica Alves, José Helinton e Caio Vinícius - 2º Período

domingo, 8 de junho de 2014

A Morte do Mito em Cassiano





Faz parte de um trecho da carta magna da nação de que “todos são iguais perante a lei”, partindo desta premissa irrevogável se desenrolam quatorze princípios que definem a igualdade no Direito Penal.
Porém, de acordo com nosso protagonista, ainda não apresentado, que dirige seu veículo à propulsão humana entre os blocos da universidade até o de restaurantes, por fim para o ponto de ônibus, novamente, “isto é conversa para boi dormir”.

Sentado em uma mesa de madeira trabalhada sob o toldo de um restaurante atrás de duas redes para se espreguiçar, um metro e cinco centímetros, portador de osteogênese imperfeita, conhecida como a doença dos ossos de vidro, estudante de engenharia e praticante de natação para portadores de necessidades físicas, Wellington Cassiano observava ao redor, enquanto o almoço não fora servido, tentando encontrar palavras para descrever sua situação, por conclusão, disse ,com uma ênfase nos deficientes físicos, “A igualdade é um mito. E eu não acredito mais nela”. Determinou por fim, a ocasião de todos, por ele sentida na pele oleosa, nos ossos com pouco colágeno, no corpo todo.

Nascido em Volta Redonda, cidade do interior de Minas Gerais, levado pela mãe ao Rio de Janeiro, “porque na década de 1990 ninguém sabia muito bem o que eu tinha. Na cidade do Rio ela (sua mãe) me levou por causa dos tratamentos que uma cidade grande poderia oferecer”, crescido lá, vindo para Curitiba, onde mora na casa de uma tia, devido ao concurso do ProUni, no qual passou em Engenharia Mecânica na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) como bolsista, “porque é uma boa cidade. Aqui o urbanismo facilita a vida do deficiente e o clima frio é analgésico”. Posteriormente passou a praticar natação na piscina da PUCPR sob a supervisão do professor Rui Menslin, na categoria swimming 8, da qual explicou as classificações numerais  como: “tem de 1 a 10. A 1 é para o deficiente que já esta completamente f*****, aquele que só tem o torso, e tal. Já a 10 é para o maluco que não tem um dedinho, quase igual a um competidor normal, tá ligado”.

Seja para fugir dos estereótipos dos quais é visto, “me chamam de coitadinho, acham que eu sou retardado” por todos, pelo menos todos que prestam atenção nele, o uso de gírias, de palavrões, e de um vocabulário que não se enquadraria no politicamente correto (como é possível observar na última citação) em seu discurso é corrente. Talvez seja uma forma agressiva, que se torna cômica, da qual o Professor Paulo Freire já explicou na Pedagogia do Oprimido, qualquer oprimido que um dia possa ter os meios, neste caso o meio é o de comunicação, ele reafirmará a mesma lógica opressora que sofreu. Dito e feito. O olhar de Wellington é altivo, porque sua cabeça não consegue se sustentar então permanece com o queixo apoiado sobre o pescoço, por isso olha o mundo, mesmo que de forma mecânica, com o olho abaixado mas a íris em direção aos outros de maneira analítica. Ri da própria situação e da dos outros, mas a sua risada é estranha porque lembra um ruído de quase choro, como se a garganta fosse comprimida. Talvez de tanto chorar aprendeu a rir, mas não como os outros.

É conhecido como “mineirinho” por todos os praticantes, que já começavam a se reunir para o almoço às 13h25, de uma quinta-feira. No restaurante que fornece o almoço a um preço baixo para eles. “O restaurante fez um acordo com o time de natação paraolímpica, e eles meio que patrocinam a gente. Essa é a troca, na última semana um dos nossos ficou em terceiro no S5 (a pessoa em questão era José Carlos de Souza”). Daí apareceu uma foto dele com a camiseta do restaurante e tal”. Antes que o almoço seja servido, todos os praticantes ficam fora do restaurante, no toldo, se apropriam do local de fora enquanto “as pessoas não deficientes ainda não saíram”, e tem rotina parecida. Estudam na PUCPT pela manhã, almoçam alí sempre e posteriormente vão à piscina do campus para treinar. “Normalmente a gente treina oito horas por dia”.

Mesmo com tanto treino, mineirinho, ou Wellington, desfecha. “Jamais vamos ser iguais, isso não existe, um atleta normal sempre vai receber mais e vai ter mais reconhecimento que um paratleta”.

Acorda pela manhã na cassa da tia onde está “de favor”, dirigi seu veículo autônomo pela mão, “apesar das ruas de Curitiba serem boas ainda não são uma maravilha”, falando sobre os buracos e pedras pelo caminho, pega o ônibus” o curitibano é um pouco mais paciente com os cadeirantes que os de outras cidades quando o ônibus tem de ficar parado para nos levantar”, vai à aula, ‘levo nas coxas”, não fala sobre a família, acredito que comentou algo sobre o pai ter  deixado sua mãe depois dos exames pré-natal, mas não é certeza, almoça, e pratica natação, “isso eu levo nas coxas também”.

Todas as citações entre aspas a partir do segundo parágrafo pertencem a Wellington Cassiano.
por Vinícius Costa

Histórias de um Boleiro

Todo torcedor de futebol sabe o que é a mãe do árbitro, mas o que é ou será o filho de um juiz de futebol? Talvez outro juiz? Bandeirinha? Craque de futebol? Calma lá, vamos contar essa história direito.
Comecemos pelo começo, Flamarion Petriv de Abreu 1,89 de altura, ainda cedo começou a jogar futebol nas categorias de base do atlético paranaense, influenciado pelo pai Luiz Carlos Pinto de Abreu, árbitro da FIFA.
Flamarion contou que ainda cedo ia aos jogos com seu pai, assisti-lo, e comenta que talvez por essa vivência tão próxima com o mundo da bola, ele tenha adquirido esse interesse.
O jogador não demorou em se destacar, não só dentro de campo. Desde jovem guarda uma cicatriz que além da marca traz uma história engraçada. Quando ainda jogava pelo Atlético, que aliais é seu time do coração, Flamarion foi mordido por um cachorro da polícia militar, na saída de um jogo, na Vila Capanema entre Atlético e Paraná.
O animal se interessou pela perna direita do jogador e sem perder a oportunidade fincou seus dentes para deixar uma marca que perdura até hoje, mas que em nada atrapalhou seu sucesso.
Após o incidente Flamarion rodou por alguns times do estado do Paraná, como Londrina, Iraty e Francisco Beltrão. E é depois de uma partida entre Beltrão e Coritiba que a grande jornada começa.
O jogo em geral não foi positivo, o Coritiba venceu por 3x1, rebaixando o Francisco Beltrão. Contudo Flamarion se destacou no jogo marcando o único gol do time de pênalti e chamando a atenção de um olheiro português que estava atrás de um zagueiro do Coritiba.
O olheiro em questão era do clube português Vitoria de Guimarães e convidou Flamarion para defender os conquistadores, uma das alcunhas do time, ele aceitou a proposta lusitana, e atravessou o oceano atlântico direto para o velho continente.
O Jogador respondeu as expectativas, teve uma temporada regular e ótimas apresentações, sendo escolhido o segundo melhor zagueiro do campeonato português, ajudando o time a terminar na quarta colocação.
Nessa época teve uma de suas partidas inesquecíveis. Ele teve a honra de jogar uma das ultimas partidas do antigo estádio da luz e sentiu a emoção de ter mais de 60.000 mil expectadores, entre esses expectadores um especial, Cristiano Ronaldo, estava no banco do Benfica na ocasião.
Flamarion então enfrentou problemas com contratos e com seu empresário, houve a proposta para que ele jogasse pelos grandes de Portugal, Porto e Benfica, mas devido a complicações Flamarion não assinou com nenhum clube da primeira divisão e foi disputar a segunda divisão pelo Estrela Amadora, outra vez sua atuação foi de alto desempenho e rendeu para o clube o acesso à divisão de elite portuguesa, com terceiro lugar.
Agora passa a defender o F.C Maia, também da segunda divisão, o time quase alcançou a primeira divisão, mas Flamarion e alguns outros jogadores não disputaram a ultima partida, devido alguns meses de salário atrasado.
Flamarion então deixou Portugal, levando mais que lembranças, ele teve um filho na “terrinha”. Ele e sua família então foram para Coreia do Sul, e ele passou a ser jogador do Daejeon citizen.
A experiência na Coreia foi única, a comida foi um dos primeiros sustos. No primeiro dia ele o time foram para uma chácara, para uma reunião do time entre diretoria e jogadores.
Flamarion contou que havia cachorros em roletes e lulas vivas para comer, para um primeiro dia foi muito assustador. Mesmo depois do evento as opções eram poucas, não havia muitos restaurantes com comidas parecidas com as brasileiras, e o centro de treinamento ficava fora da cidade, longe de casa. Então ele teve que aceitar a comida coreana.
O conhecimento de novas culturas não parou por ai, Flamarion saiu da coreia e foi para Arábia Saudita passou um ano e voltou para Curitiba, finalmente rever os amigos, família, matar a saudade da pátria amada.
Flamarion tinha então contrato fechado com o Pescada da Itália, mas quem podia imaginar que a uma semana da sua viagem, ele romperia o ligamento cruzado do joelho numa brincadeira com os amigos.
A lesão deixou o jogador um ano e meio fora dos gramados, quando voltou a jogar ele rodou o Brasil, passou por vários clubes até se aposentar, Flamarion comentou que a maioria dos jogadores não se prepara para encerrar sua carreira e que é realmente difícil deixar os gramados para trás.
Acontece que o mundo da bola ainda guardava um pouco mais para o grande atleta, e aquele não tinha sido o fim de sua carreira. De volta a Curitiba o jogador começou a trabalhar com vendas junto com um amigo. Com o intuito de aproveitar o tempo e descobrir que tipo de negocio ele gostaria de abrir.
Eis que o destino começa a agir e num dia normal de trabalho Flamarion foi atender um cliente que era diretor do Trieste, clube amador de Curitiba. Após uma temporada pelo clube amador, Flamarion foi convidado a jogar profissionalmente mais uma vez, seu destino? Omã, de volta a novas culturas.
Nessa temporada Flamarion não levou a família e esses momentos de solidão são complicados, é difícil estar sozinho numa cultura totalmente diferente da sua, passar mais tempo em hotéis e concentração do que em casa, passar datas comemorativas longe da família, ser jogador de futebol é divertido, mas há seus momentos difíceis.
Depois ainda teve passagem pelo Misto clube italiano e finalmente voltou ao Paraná para jogar pelo Operário de ponta grosa, onde teve a outra partida inesquecível.
Essa partida foi na Arena da Baixada contra o Atlético, na época o furacão vinha embalado em vitorias e vencia o jogo por 1x0 até os 41 minutos do segundo tempo, o Operário, no entanto virou o jogo e deixou uma lembrança perpétua no jogador.
Atualmente o jogador tem uma escolinha de futebol, ainda não leciona, mas pretende. Ele diz que quer formar os futuros atletas, os domingos agora trazem nostalgia e saudades do campo, talvez Flamarion assine com algum clube amador, não por dinheiro, mas para continuar brincando de bola, como ele disse nunca é fácil pendurar as chuteiras.

Alunos: Álvaro Lunardon, Lucas Morking, Paulo Morschbacher e Wesley Fernando.
Jornalismo / 2º Período 

Uma Jovem Voluntária


Letícia Witzki Morona, tem 18 anos e sempre acompanhou por redes sociais o trabalho de vários grupos que faziam ações voluntárias em hospitais. Surgiu então uma curiosidade para atuar com eles, mas como era menor de idade não conseguia liberação. Em 2012, quando tinha 16 anos conheceu um grupo de voluntariados, Os Doutores da Esperança, e começou a visitar alguns hospitais.
Pouco tempo depois seu avô, seu maior exemplo e inspiração para trabalhar com esses projetos, faleceu e isso a motivou para continuar no caminho do voluntariado. "Meu avô sempre foi muito paciente e com o coração disposto a ajudar, ele me ensinou que ajudar o próximo é ajudar a si".
Letícia conta que desde pequena sempre pensou em adotar uma criança, um sonho que ela pretende realizar daqui a alguns anos. Este foi outro motivo para que ela criasse seu próprio grupo de voluntariado. "Surgiu a ideia de visitar lares de crianças para entender melhor o que se passa na vida deles, meu amor pelo trabalho voluntário só cresceu e assim em 11 de maio de 2013, surgiu o Semeando Amor".
O grupo criado por Letícia possui princípios cristãos e utiliza a dança, a música e o teatro em suas visitas para interagir, e brincar com as pessoas através das ações sociais, e também proporcionar dias divertidos para quem assiste as apresentações. Além de visitas a lares e associações, o grupo já realizou aniversário e páscoa solidária, entre outros projetos.
A jovem conta a alegria que sente em poder participar dos projetos, já que durante a semana seu trabalho é como vendedora dentro de uma empresa de peças e acessórios para industrias. “ Nos finais de semana meu trabalho é outro: como palhaça”. E a paixão pelo serviço social se tornou evidente na vida da garota, que apesar da anterior dúvida, pretende seguir com a profissão, “simplesmente me apaixonei”, afirma.
O maior objetivo da voluntariada é fundar uma ONG, para ampliar sua área de atuação e conseguir atender mais lares e mais comunidades em vulnerabilidade social.

Alunos: Marjorie Coelho, Renata Fernandes, Letícia Zan e Gustavo Vidal 




Não adianta fugir
















Não adianta discutir, o destino sempre nos pregará peças. Todos os clichês sobre as coisas acontecerem quando menos esperamos só é clichê, pois acontece com grande, ou melhor, muitíssima frequência.

Anderson estava vestindo terno e gravata, em suas mãos o celular não parava de apitar e mesmo assim não desviou a atenção enquanto conversava comigo. Foi simpático, contou que estava no shopping para comprar o presente de aniversário da esposa, que era naquela semana.

Era o segundo verão que Anderson passava em Balneário Camboriú com os amigos. Eles haviam economizado durante o ano anterior inteiro para que pudessem desfrutar uns dias no litoral catarinense.
Era uma noite quente e os amigos, mesmo cansados depois de passar o dia todo surfando, decidiram dar uma volta pelo calçadão. Na alta temporada a cidade lota e a beira mar vira ponto de encontro, carros e

Fora uma noite quente regada a chope, muitas risadas e alguns beijos entre Marcão e Solange.  Ione e Solange eram de Blumenau. Anderson e Marcão de Curitiba. Aquela noite havia formado um casal e dois grandes amigos. Apesar da distância, todos eles mantinham contato através de telefone e telegramas, a época não permitia muito mais que isto.

O carnaval logo chegou. Durante fevereiro Anderson e Ione trocaram telegramas, estavam amigos. Ele queria algo mais, ela era divertida, o fazia rir como ninguém e sua personalidade forte o chamou a atenção. Ele estava decidido que até o final do carnaval iria conquistar aquela morena difícil.
mais carros estacionados com pessoas bebendo a sua volta. Depois de alguns goles, seu melhor amigo Marcão, avistou duas mulheres encostadas em um carro bebendo. Anderson tentou evitar a abordagem exagerada do amigo, mas fora em vão, quando vira Marcão já havia convidado a loira para um chope. Sem graça ao ver que a morena havia ficado sem jeito com a situação, convidou-a para juntar-se a eles.
Terça feira de carnaval, após algumas cervejas rolou o primeiro beijo. “Quando a beijei jamais pude imaginar que ficaria com ela para o resto de minha vida” contou Anderson.

A partir desta noite a quantidade de telegrama aumentou, os telefonemas se intensificaram e pelo menos uma vez ao mês alguém fazia uma viagem de quatro horas para ver o outro. Apesar de trabalhar o dia todo e fazer faculdade à noite, Anderson conseguia energias para ver Ione em seus dias de folga.  Depois de um ano e três meses eles estavam subindo ao altar.

“É engraçado ver como as coisas acontecem, eu conheci ela da maneira mais diferente possível e agora ela é minha esposa e com ela tenho uma linda filha.”

Mais uma prova de que o mundo nos prega peças. Já pensou se Anderson tivesse ficado em casa naquela noite?

POR:. Ana Paula Rusycki, Anna Caroline Augusto Pires, Gabrielle Ferst, Julyana Dal'Bó, Matheus Urbano

A arte do faça você mesmo

  “Estamos buscando uma mudança de condição de vida, não podemos deixar nas costas do governo, com essa ideia paternalista de que ele vai resolver tudo”, comenta o artista plástico, que veio para Curitiba há aproximadamente 40 anos com seus pais em busca de melhores condições de vida. Sem muitas regalias, Lourenço Duarte de Souza, vê na bicicleta sua liberdade. Ele conta que terminou de montar sua primeira bicicleta aos 11 anos de idade. Junto com o irmão, saía às ruas de Niterói em busca de peças. De Souza teve sua bicicleta roubada dois anos mais tarde, e assim, percebeu logo cedo que é preciso correr atrás daquilo que se almeja. 

  
  Pedalando pelas ruas da capital paranaense, o artista plástico viu os tempos mudarem. Ele diz que a realidade é diferente, que a colônia ficou para trás, agora temos que fazer acontecer. Junto com mais alguns voluntários, em um terreno cedido pela Prefeitura, o artista plástico concretiza seu sonho assim como a neblina paira pelo ar. Por meio de uma ação movida pelo CicloIguaçu - Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu, na qual, a Praça de Bolso do Ciclista é construída por meio de material disponibilizado pela Prefeitura, e com mutirões realizados todos os finais de semana com o objetivo de que a população construa sua história, sua identidade, que a praça tenha um pouco de cada curitibano.

  Tendo suas mãos por ferramentas e o mundo como quintal, Da Silva além do trabalho artístico, conserta bicicletas. Diz que prefere ser conhecido pelo que faz, do que pelo que consta em sua carteira. Andar de bicicleta para ele não é um esforço, é uma satisfação. “Não é uma questão de força, é uma questão de adaptação, basta querer”.

  Preparado para o mundo e com o vento gelado batendo no rosto, o niteroiense que saiu do Rio de Janeiro, diz amar Curitiba. Criado em uma metrópole, não se assusta com o silêncio e apatia curitibana. Como artista, vê a cidade de outra forma. Presta atenção nos detalhes, na rachadura dos prédios que nos cercam, no desnível das calçadas e na beleza dos olhares. Dentre idas e vindas sob o asfalto poroso, Lourenço se vê maravilhado pela ação do tempo. São ciclos; as gerações vão perdendo suas raízes. O que antes era um problema a tecnologia resolveu, agora tem solução: “as pessoas respeitam, o digital as conectou”, comenta.



Por: Loraine Mendes 

sábado, 7 de junho de 2014

Arriscando a própria vida para salvar outros



“No Estado do Paraná o Corpo de Bombeiros é um Comando Intermediário da Polícia Militar (PMPR), cuja missão consiste na execução de atividades de defesa civil, prevenção e combate a incêndio, buscas, salvamentos e socorros públicos”. (Wikipedia)

Paulo Henrique de Souza, 44 anos, Major do Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná está há 27 anos na instituição. Ser bombeiro é algo que sempre quis, pois seu pai também exerce a função. A partir disso, estudou no Colégio da Polícia Militar do Paraná e concluiu os estudos na Academia Policial Militar do Guatupê, saindo de lá como Aspirante Bombeiro Militar. Após tantos anos de serviços prestados, Souza possui um currículo de memórias e histórias incríveis em sua carreira, sendo a sua preferida esta que contou para nós:

“Como você pode imaginar, vi muita coisa surpreendente, interessante e, até, assustadora nesses meus 27 anos de Corpo de Bombeiros. Mas há uma história que sempre gosto de lembrar.

Em uma das minhas primeiras operações-verão, no início dos anos 1990 (acredito que foi no verão de 92/93), durante um patrulhamento na região do Balneário de Santa Terezinha, na época município de Paranaguá, me deparei com uma situação de incidente com pessoa em meio líquido, quando uma senhora estava se afogando em uma área muito próxima à praia, em torno de 20 a 30 metros da areia. 

Realizei o salvamento juntamente com um companheiro de serviço, o Sargento Marques, e observamos que a vítima estava em parada cardio-respiratória (PCR). Ainda na areia, antes da chegada de uma viatura de apoio, iniciamos os procedimentos de ressuscitação cardio-pulmonar (RCP). 

Na época, ainda não haviam ambulâncias no Corpo de Bombeiros no litoral e realizamos o transporte daquela senhora na carroceria de uma caminhoneta utilizada em ações de salvamento. Eu e o Sargento Marques continuamos com os procedimentos de RCP durante praticamente todo o  trajeto até o Pronto-Atendimento (PA) do Hospital Cidade, em Praia de Leste (hospital que não existe mais).

Antes de chegar ao PA, percebemos que os sinais vitais da vítima retornaram, ainda bastante fracos, mas estáveis. Entregamos a vítima aos cuidados do corpo clínico do hospital e demos por encerrada e cumprida mais àquela missão. No entanto, a grata surpresa veio após alguns dias, quando a neta daquela senhora, vítima de afogamento, levou-a até o quartel do Corpo de Bombeiros de Santa Terezinha para nos agradecer por estar viva. “Foi bastante emocionante e gratificante aquela visita e me fez refletir sobre a importância de estar sempre bem condicionado e preparado para responder às emergências e sobre como estar bem preparado pode fazer a diferença entre a vida e a morte”.

Jornalismo 2º Periodo
Ana Carolina de Souza
Ana Carolina Pacífico
Guilherme Zuntini
Karen Loayza

O homem não tão invisível

É por trás de um vidro escurecido que o seu Chico vê o mundo. O vidro é escuro demais para que o mundo de fora o veja também, e assim, ele é uma presença invisível durante 8 horas todos os dias há 11 anos. Por mais que suas horas de trabalho sejam muitas vezes caracterizadas por brilhantes tardes de sol, o porteiro Francisco Moreira, permanece em uma sala em que as únicas luzes brilhantes vem das telas que mostram imagens das câmeras de segurança do prédio residencial no qual trabalha.

Ao se pensar em um porteiro, a imagem que vem à mente é sempre a de alguém que abre a porta, tem contato com todos aqueles que entram e saem do prédio, deseja bom dia, puxa conversa com quem espera o elevador chegar ao térreo e assim que ele chega, segura a porta e aperta o botão do andar para a mãe com o bebê no colo. Porém seu Chico sente-se um pouco diferente de seus colegas de profissão. No prédio em que trabalha, por questões de segurança, a sala destinada para ele fica atrás de um pequeno corredor e uma porta perto dos elevadores no hall de entrada.

“Eu gostaria de ter oportunidade de um contato mais próximo com os moradores do prédio no dia a dia. Os (moradores) mais antigos me conhecem e mantenho uma relação de muita amizade com alguns. Não posso dizer que fico sempre sozinho, porque esses que me conhecem há mais tempo sentem a liberdade para entrarem aqui e muitas vezes até perdem o horário enquanto conversamos sobre futebol, política ou mulheres (risadas), mas não falamos sobre nenhuma moradora! (muitos risos)."

Apesar das risadas divididas com alguns amigos que o visitam em sua salinha reclusa, o porteiro, ao longo de 11 anos, percebeu que muitos dos que entram e saem do prédio, ignoram completamente a presença dele, mesmo sabendo que a porta não se abre sozinha toda vez que chegam em casa. “Bom, consigo pensar em uns 5 apartamentos nos quais as pessoas nem sabem qual o meu rosto. Eu mantenho a porta sempre aberta, e apesar de tentar desejar um bom dia sempre que passa alguém, o corredor não permite que a pessoa me veja, só me escutam e alguns respondem, outros não. (...) Até já assustei algumas pessoas quando tentei cumprimentá-las.” Mas será que essas pessoas não esperavam que houvesse alguém ali, a mesma pessoa que as viu através do vidro enorme ao lado da porta, que a abriu sem que eles precisassem sequer tocar no interfone? Será que ao verem o adesivo “sorria, você está sendo filmado” no espelho do elevador, elas não percebem que alguém está assistindo às imagens?

A verdade é que não é necessário uma sala reclusa para que as pessoas ignorem e passem todos os dias umas pelas outras sem as enxergarem realmente. Um morador que não sabe nem o nome do porteiro do seu prédio parece algo absurdo – como podemos ignorar a esse ponto uma presença tão importante pra nossa segurança? -, mas eu mesma não sei. Hoje perguntarei.

(09 de junho é dia dia do porteiro)


Roberta M. Silveira Nassar

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Paixão do brasileiro pelo futebol

O que para uns é loucura, para outros é mais do que uma paixão



Estava fazendo a cobertura de um jogo de futebol em São Paulo, quando me deparo com um personagem ilustre, daqueles que não tem tempo ruim daqueles que estão sempre com o um sorriso estampado em seu rosto, daqueles que não importa a circunstância sempre está de bom humor e entusiasmado.

O amor do brasileiro pelo futebol é algo indescritível, pois os torcedores são capazes de fazer diversas loucuras para acompanhar o seu time do coração, como a de sair de seus aposentos todos os finais de semana e viajar vários e milhares de quilômetros para uma partida de futebol que, para muitos seria uma “simples partida de futebol” mas que para outros, valem vidas. Estar presente na rotina do seu time parece algo muito distante da realidade, mas para este personagem não é.

" Binha de São Caetano torcedor iluste"
O instrumentista de 54 anos, Flávio Alexandre, é um dos personagens mais ilustres das torcidas brasileiras, mais conhecido como “Binha de São Caetano”, Flávio é torcedor do Esporte Clube Bahia e viaja com o time para todos, isto mesmo, TODOS os jogos, independente da cidade, do estado ou até do país que o Bahia jogue. Binha e famoso entre os torcedores por sua simpatia e seu otimismo, para ele, o Bahia é o melhor time do mundo e confia na conquista de títulos. Binha é tricolor bahiano desde criança por influência dos seus pais e avós, começou a frequentar estádios ainda bebê e a acompanhar o time juntamente de seus pais. Com o passar dos anos, essa paixão foi ficando cada vez maior e isso resultou no grande torcedor que Binha se tornou.

Residente em Salvador-BA, o torcedor relata que já passou por algumas dificuldades para poder ir aos jogos, mas que essas dificuldades não o desanimaram e Binha continuou sua jornada pelo Brasil para acompanhar o seu time. “Viajo com o Bahia em todos os jogos, em todo território nacional. Graças a Deus eu vou em todos os jogos com a minha simplicidade, a minha humildade e a minha modéstia. Torço para o Bahia desde que nasci, minha família torce, e eu só vou deixar de torcer quando eu morrer. Eu amo o Bahia verdadeiramente, eu amo o Bahia de coração e não importa a divisão, porque eu tenho certeza que esse ano o Bahia irá ganhar a Copa do Brasil e a série A, e ano que vem a Libertadores e o Mundial. Eu enfrentei várias dificuldades financeiras para acompanhar o Bahia, mas agora tenho alguns empresários que me ajudam, pois o clube não me fornece este apoio, às vezes alguns conselheiros me ajudam. Já tive muitas decepções mas isso não diminuiu meu amor, porque o Bahia é o melhor do mundo, melhor que o Real Madrid, melhor o Barcelona e melhor que a Inter de Milão”, comenta o torcedor.
 
Por: Saila Caroline Rodrigues - Jornalismo - 2° período / Anônimos

segunda-feira, 2 de junho de 2014



Tribos Urbanas- Emos


Emo é a abreviatura de Emotional Hardcore, termo que foi originalmente dado às bandas do cenário punk  anos 80’. Na qual possuía uma lirismo muito nítido em letras e melodias. Após os anos essa tribo se desenvolveu rapidamente fazendo sucesso em Londres nos anos 2000 com o estilo “From Uk” e “Hispters”, mas foi aqui no Brasil que o estilo ficou popularmente conhecido.

Cenário Brasileiro
Em 2004 o cenário musical nacional era mais voltado para o rock alternativo denominado Emotional Hardcore, o estilo não só musical começou a dominar as passarelas, as vitrines com o xadrez tradicional- Branco e preto-, roupas escuras, maquiagem pesadas, cabelos repicados, vocabulário, demonstração de afeto ao extremo em publico. Em suas redes sociais o drama do sentimentalismo tomava conta. Esse estilo fazia a cabeça de pré adolescentes de 11 anos a adolescentes de 18 anos.
O estilo e a música ficaram marcados por conta de bandas como Nx Zero e Fresno. Já em meados de 2008 e 2007 o gênero ficou marcado para o “Happy rock”, intitulado emos coloridos, com a banda cine e restart. Jovens começaram a usar e abusar de cores vibrantes com ferencias do pop dos anos 70’ nos estados unidos e do estilo rock de Londres dos “From Uk”.  

Cidadania 

Fisicamente, podemos reconhecer um Emo do passado pela franja a tapar um olho com o cabelo sempre esticado e de preferência preto; os olhos pintados de preto; as calças justas e de cores escuras; as t-shirts de bandas ou de padrões ás riscas maioritariamente nos tons de vermelho, branco e preto. O cintos de taxas, as luvas com os dedos cortados e os pins também sao frequentes neste estilo assim como as All Star nos pés. Isto tanta se aplica para os rapazes como mulheres, porém é apenas mais um  o que explica a dificuldade que algumas pessoas têm em distinguir os dois sexos. 

Emos, emos coloridos, From Uk, Hipsters são hoje ramificações de estilos passados que marcaram uma geração, seja ela musical ou não. Hoje, esses estilos, principalmente os emos, são influencias de moda e comportamento. Talvez, não como era antes, mas de uma forma que seja minimamente trabalhado para vender mas sem ter uma rotulação especifica de um gênero só.

Grupo: Ana Rusycki, Anna Caroline Augusto Pires, Gabrielle Ferst, Julyana Dal' bó e Matheus Urbano.