domingo, 8 de junho de 2014

A arte do faça você mesmo

  “Estamos buscando uma mudança de condição de vida, não podemos deixar nas costas do governo, com essa ideia paternalista de que ele vai resolver tudo”, comenta o artista plástico, que veio para Curitiba há aproximadamente 40 anos com seus pais em busca de melhores condições de vida. Sem muitas regalias, Lourenço Duarte de Souza, vê na bicicleta sua liberdade. Ele conta que terminou de montar sua primeira bicicleta aos 11 anos de idade. Junto com o irmão, saía às ruas de Niterói em busca de peças. De Souza teve sua bicicleta roubada dois anos mais tarde, e assim, percebeu logo cedo que é preciso correr atrás daquilo que se almeja. 

  
  Pedalando pelas ruas da capital paranaense, o artista plástico viu os tempos mudarem. Ele diz que a realidade é diferente, que a colônia ficou para trás, agora temos que fazer acontecer. Junto com mais alguns voluntários, em um terreno cedido pela Prefeitura, o artista plástico concretiza seu sonho assim como a neblina paira pelo ar. Por meio de uma ação movida pelo CicloIguaçu - Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu, na qual, a Praça de Bolso do Ciclista é construída por meio de material disponibilizado pela Prefeitura, e com mutirões realizados todos os finais de semana com o objetivo de que a população construa sua história, sua identidade, que a praça tenha um pouco de cada curitibano.

  Tendo suas mãos por ferramentas e o mundo como quintal, Da Silva além do trabalho artístico, conserta bicicletas. Diz que prefere ser conhecido pelo que faz, do que pelo que consta em sua carteira. Andar de bicicleta para ele não é um esforço, é uma satisfação. “Não é uma questão de força, é uma questão de adaptação, basta querer”.

  Preparado para o mundo e com o vento gelado batendo no rosto, o niteroiense que saiu do Rio de Janeiro, diz amar Curitiba. Criado em uma metrópole, não se assusta com o silêncio e apatia curitibana. Como artista, vê a cidade de outra forma. Presta atenção nos detalhes, na rachadura dos prédios que nos cercam, no desnível das calçadas e na beleza dos olhares. Dentre idas e vindas sob o asfalto poroso, Lourenço se vê maravilhado pela ação do tempo. São ciclos; as gerações vão perdendo suas raízes. O que antes era um problema a tecnologia resolveu, agora tem solução: “as pessoas respeitam, o digital as conectou”, comenta.



Por: Loraine Mendes 

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

bom ensaio de um texto mais literário, contando uma história com tons politizados.