segunda-feira, 9 de junho de 2014

Experiência na África

 

Luis Carlos Xavier, 74 anos, aposentado, morou em Angola na África por dois anos, e durante entrevista, ele nos contou um pouco de como foi viajar para um país totalmente diferente do nosso, tanto em cultura, como em estilo de vida, língua e costumes. Luis conta que foi a Angola a convite de uma empresa israelita que prestava serviços ao governo. Logo que desembarcou no país, o aposentado já sentiu as diferenças culturais. “Logo na descida no aeroporto tomei um choque, você realmente percebe que existe outro mundo, tudo diferente daquilo que você viveu até então... a começar pela cor da pele, ali você é o diferente, você sofre racismo, eu senti na pele o que é ser diferente”.

  O fato de Angola ter passado por uma guerra civil, tornou a adaptação mais complicada para Luis. “Tinha acabado de desembarcar em um lugar onde uma guerra civil de 35 anos havia terminado há poucos meses, vi o rastro da destruição com meus próprios olhos. As ruas ainda tinham o cheiro e as marcas da guerra que desolou o país. Pessoas mutiladas, placas de minas em toda parte e o risco eminente cercavam os ambientes”. Foram muitos os desafios que Luis teve que enfrentar durante sua estadia em Angola. A rotina de trabalho dos angolanos, por exemplo, era muito diferente que a dos brasileiros, “Fui contratado para organizar a logística e fazer as compras da construtora, e não foi fácil me acostumar com a comida, a cultura, e principalmente, a falta de informação dos angolanos”, conta o aposentado.

  Devido às dificuldades aparentes que os angolanos tinham em exercer o trabalho, Luis passou a ensinar o que podia aos colegas. “No trabalho eles conseguiam montar uma metralhadora e desmontar em três minutos, mas não sabiam o que era uma planilha do Excel”... “Nossa função foi mais de professor, ensinando o povo de lá a trabalhar no ritmo habitual a que estávamos acostumados no Brasil”. A rotina de trabalho era longa e tardia, bem diferente do ritmo acelerado em que as coisas geralmente ocorrem no Brasil. “O trabalho era moroso, algo que em duas horas você estava acostumado a realizar no Brasil, em Angola durava dois dias pra fazer”, afirma Luis. Apesar de ter passado por muitos desafios e dificuldades, o aposentado conta que, ter passado dois anos em outro país, foi uma experiência de aprendizado e enriquecimento, tanto pessoal como profissional. “Foram dois anos incríveis que passei em Angola. Fiz vários amigos que me enriqueceram muito devido a troca de conceitos, de estilos e de aprendizado. Todo esse tempo que passei fora, foi muito importante e gratificante para mim, hoje levo lições para a vida que aprendi com os angolanos e com a alegria que eles têm, apesar de terem passado tantos anos reféns de uma guerra”.



Jornalismo 2º período
Caroline Ribeiro
Danielle Spielmann
Manoela Campos

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

como já comentamos pessoalmente, ótima descoberta de uma personagem com uma rica história de vida.