domingo, 8 de junho de 2014

Histórias de um Boleiro

Todo torcedor de futebol sabe o que é a mãe do árbitro, mas o que é ou será o filho de um juiz de futebol? Talvez outro juiz? Bandeirinha? Craque de futebol? Calma lá, vamos contar essa história direito.
Comecemos pelo começo, Flamarion Petriv de Abreu 1,89 de altura, ainda cedo começou a jogar futebol nas categorias de base do atlético paranaense, influenciado pelo pai Luiz Carlos Pinto de Abreu, árbitro da FIFA.
Flamarion contou que ainda cedo ia aos jogos com seu pai, assisti-lo, e comenta que talvez por essa vivência tão próxima com o mundo da bola, ele tenha adquirido esse interesse.
O jogador não demorou em se destacar, não só dentro de campo. Desde jovem guarda uma cicatriz que além da marca traz uma história engraçada. Quando ainda jogava pelo Atlético, que aliais é seu time do coração, Flamarion foi mordido por um cachorro da polícia militar, na saída de um jogo, na Vila Capanema entre Atlético e Paraná.
O animal se interessou pela perna direita do jogador e sem perder a oportunidade fincou seus dentes para deixar uma marca que perdura até hoje, mas que em nada atrapalhou seu sucesso.
Após o incidente Flamarion rodou por alguns times do estado do Paraná, como Londrina, Iraty e Francisco Beltrão. E é depois de uma partida entre Beltrão e Coritiba que a grande jornada começa.
O jogo em geral não foi positivo, o Coritiba venceu por 3x1, rebaixando o Francisco Beltrão. Contudo Flamarion se destacou no jogo marcando o único gol do time de pênalti e chamando a atenção de um olheiro português que estava atrás de um zagueiro do Coritiba.
O olheiro em questão era do clube português Vitoria de Guimarães e convidou Flamarion para defender os conquistadores, uma das alcunhas do time, ele aceitou a proposta lusitana, e atravessou o oceano atlântico direto para o velho continente.
O Jogador respondeu as expectativas, teve uma temporada regular e ótimas apresentações, sendo escolhido o segundo melhor zagueiro do campeonato português, ajudando o time a terminar na quarta colocação.
Nessa época teve uma de suas partidas inesquecíveis. Ele teve a honra de jogar uma das ultimas partidas do antigo estádio da luz e sentiu a emoção de ter mais de 60.000 mil expectadores, entre esses expectadores um especial, Cristiano Ronaldo, estava no banco do Benfica na ocasião.
Flamarion então enfrentou problemas com contratos e com seu empresário, houve a proposta para que ele jogasse pelos grandes de Portugal, Porto e Benfica, mas devido a complicações Flamarion não assinou com nenhum clube da primeira divisão e foi disputar a segunda divisão pelo Estrela Amadora, outra vez sua atuação foi de alto desempenho e rendeu para o clube o acesso à divisão de elite portuguesa, com terceiro lugar.
Agora passa a defender o F.C Maia, também da segunda divisão, o time quase alcançou a primeira divisão, mas Flamarion e alguns outros jogadores não disputaram a ultima partida, devido alguns meses de salário atrasado.
Flamarion então deixou Portugal, levando mais que lembranças, ele teve um filho na “terrinha”. Ele e sua família então foram para Coreia do Sul, e ele passou a ser jogador do Daejeon citizen.
A experiência na Coreia foi única, a comida foi um dos primeiros sustos. No primeiro dia ele o time foram para uma chácara, para uma reunião do time entre diretoria e jogadores.
Flamarion contou que havia cachorros em roletes e lulas vivas para comer, para um primeiro dia foi muito assustador. Mesmo depois do evento as opções eram poucas, não havia muitos restaurantes com comidas parecidas com as brasileiras, e o centro de treinamento ficava fora da cidade, longe de casa. Então ele teve que aceitar a comida coreana.
O conhecimento de novas culturas não parou por ai, Flamarion saiu da coreia e foi para Arábia Saudita passou um ano e voltou para Curitiba, finalmente rever os amigos, família, matar a saudade da pátria amada.
Flamarion tinha então contrato fechado com o Pescada da Itália, mas quem podia imaginar que a uma semana da sua viagem, ele romperia o ligamento cruzado do joelho numa brincadeira com os amigos.
A lesão deixou o jogador um ano e meio fora dos gramados, quando voltou a jogar ele rodou o Brasil, passou por vários clubes até se aposentar, Flamarion comentou que a maioria dos jogadores não se prepara para encerrar sua carreira e que é realmente difícil deixar os gramados para trás.
Acontece que o mundo da bola ainda guardava um pouco mais para o grande atleta, e aquele não tinha sido o fim de sua carreira. De volta a Curitiba o jogador começou a trabalhar com vendas junto com um amigo. Com o intuito de aproveitar o tempo e descobrir que tipo de negocio ele gostaria de abrir.
Eis que o destino começa a agir e num dia normal de trabalho Flamarion foi atender um cliente que era diretor do Trieste, clube amador de Curitiba. Após uma temporada pelo clube amador, Flamarion foi convidado a jogar profissionalmente mais uma vez, seu destino? Omã, de volta a novas culturas.
Nessa temporada Flamarion não levou a família e esses momentos de solidão são complicados, é difícil estar sozinho numa cultura totalmente diferente da sua, passar mais tempo em hotéis e concentração do que em casa, passar datas comemorativas longe da família, ser jogador de futebol é divertido, mas há seus momentos difíceis.
Depois ainda teve passagem pelo Misto clube italiano e finalmente voltou ao Paraná para jogar pelo Operário de ponta grosa, onde teve a outra partida inesquecível.
Essa partida foi na Arena da Baixada contra o Atlético, na época o furacão vinha embalado em vitorias e vencia o jogo por 1x0 até os 41 minutos do segundo tempo, o Operário, no entanto virou o jogo e deixou uma lembrança perpétua no jogador.
Atualmente o jogador tem uma escolinha de futebol, ainda não leciona, mas pretende. Ele diz que quer formar os futuros atletas, os domingos agora trazem nostalgia e saudades do campo, talvez Flamarion assine com algum clube amador, não por dinheiro, mas para continuar brincando de bola, como ele disse nunca é fácil pendurar as chuteiras.

Alunos: Álvaro Lunardon, Lucas Morking, Paulo Morschbacher e Wesley Fernando.
Jornalismo / 2º Período 

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

encontraram uma ótima personagem. história bacana.