segunda-feira, 9 de junho de 2014

Talento argentino em solo paranaense


Muito se fala sobre os turistas vindos à Curitiba por conta da Copa do Mundo, mas pouco se vê. Neste caso, ouve. Porém, auxiliado pela voz, usando nariz de palhaço, um bom violão plugado ao pequeno amplificador e um instrumento de sopro pouco conhecido, o rapaz de 26 anos sentado em um dos bancos da Praça Santos Andrade se faz notar. Aos ouvidos de quem por ali passa, chega o dedilhado preciso de clássicos da música mundial, devidamente acompanhados pela voz grave e ao mesmo tempo suave de Franco Carbone.

Nascido em Buenos Aires, Argentina, e com pais descendentes de italianos, Franco queria viajar. Em parte influenciado pelo evento esportivo dos próximos dias, escolheu o Brasil. “Queria fazer uma viagem e, bom, quando melhor que na Copa do Mundo para vir para cá?”*, ele diz em tom brincalhão antes de assumir que a capital paranaense não era a primeira opção. “Na verdade queria ir ao Rio de Janeiro, mas aqui estou em Curitiba e espero ficar muitas semanas”.

Esse tempo que Franco quer ficar no Brasil e o desejo de continuar a viagem por outras capitais brasileiras muito dependem da contribuição  do curitibano. Para isso, o homem,  que ainda pequeno começou a estudar música em conservatórios argentinos, trouxe na mala o violão e o kazoo - instrumento de sopro de origem africana que acrescenta um tom de zumbido à voz. Através do instrumento peculiar e das cordas de nylon do violão, os acordes muito bem executados dão vida a clássicos dos Beatles. 

O público entra em cena e se mostra interessado. Seja por meio dos olhares curiosos, das contribuições, dos aplausos ou dos muitos sorrisos, a satisfação se torna visível e obriga o músico a se arriscar no idioma que não lhe é nativo e agradecer em um português carregado de sotaque. “Gostaria de aprender português para poder falar mais com vocês”, ele lamenta. Entretanto, Franco não tem muita dificuldade em entender nossas perguntas e contar-nos um pouco mais sobre sua vida. 

Além de cantor, é também ator. “Penso que o teatro seja o mais importante de tudo”, ele afirma. Em seu país natal, além de manter uma banda de rock com quem compõe músicas próprias, Franco também participa de um trio que canta e toca tango. Apesar disso, o músico prefere não apresentar para os curitibanos o característico ritmo argentino e ao invés disso, insiste em músicas do famoso quarteto britânico e em clássicos como What a wonderful world e, claro, não deixa de fora músicas italianas que crescera ouvindo sob a influência da família.

Em Curitiba há uma semana e despreocupado sobre a data de partida, Franco Carbone afirma que pretende continuar tocando para a capital "belíssima" até pelo menos a passagem dos quatro jogos da Copa do Mundo que serão disputados em solo paranaense. Mas, engana-se quem pensa que todo o apreço pelas cidades e povo brasileiro farão de Franco um torcedor do Brasil nesse mundial.  "Penso que é difícil, mas espero que a Argentina", ele responde entre risos quando questionado sobre qual seleção levará a taça.

*Todas as citações acima foram traduzidas e adaptadas do espanhol para o português.

Por Verônica Alves, José Helinton e Caio Vinícius - 2º Período

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

bacana - é sempre interessante saber da história desses anônimos artistas.