domingo, 5 de outubro de 2014

Hipótese de Newsmaking

Primeiramente, é importante situar que a hipótese de newsmaking (fazer notícia) surge nos estudos multidisciplinares desenvolvidos nas décadas de 1960 e 1970 que abandonavam um ideário pela qual determinada função comunicacional, como o jornalismo, seria analisada por conceitos  a priori, mas sim de maneira empírica que pudesse, por meio de pesquisas acadêmicas práticas, provar certas tendências e características. A hipótese de newsmaking é extremamente válida como critério avaliativo porque não possui ideário político que limita o objeto pesquisado, neste caso o jornalismo.
Grosso modo, o newsmaking é uma radiografia do processo proffisional jornalístico, principiando pela forma de organização da empresa e sua rotina produtiva, as maneiras de captação, a relação entre o profissional e o fato, e filtragem, o conceito de gatekeeping inerente e gerador à própria hipótese do newsmaking, a operacionalização dos fatos e sua construção em notícia, ligado aos valores-notícias que são divididos em cinco categorias (substantiva; relativa à informação; relativa à produção; relativa ao público e comercial/competitiva) que serão elencados posteriormente.
Em primeira análise, é possível notar que esta perspectiva de estudo demonstra que o jornalista trabalha em duas funções, uma para si mesmo, ou seja, a imagem que tem sobre a própria categoria trabalhista em que se enquadra e a justificativa de sua conotação social (informar ao público, o que pode ser facilmente notado com a cobrança de graduação em jornalismo, no qual uma pessoa aprende a construir sua imagem a parir de recursos textuais narrativos que desenvolveu em aulas práticas como técnica de redação, televisão e rádio) além da própria empresa, esta que exerceria maior poder sobre o jornalista, já que consegue mantê-lo sob uma disciplina organizacional que abarca sua própria imagem autorrefernecial e dar a ele linhas com as quais possa atuar sem constranger sua liberdade.
Logo, o jornalista encontra um fato primário por meio de acontecimentos geradores e suas fontes contingentes, com a qual mantém um relacionamento a fim de transformá-la em notícia aplicando técnicas de produção jornalística (conseguir captar um recorte da realidade e encaixá-lo em alguns parágrafos partindo de critérios de objetividade aprendidos durante sua formação gradual, o que demonstra que o jornalismo é retroativo), aqui, a notícia ainda está em ase de construção/captação, depois expor o conteúdo diante de outros profissionais situados hierarquicamente acima dele, neste caso, os editores que cumprem o papel de gatekeepers ao filtrar o texto ou uma sugestão, por exemplo, terminando em na edição, processo no qual a notícia já construída é equilibrada ao lado de várias outras que passaram pelas mesmas fases. Posteriormente, existe a distribuição deste conjunto de notícias que caracteriza o jornalismo para os veículos da rede.
É importante ressaltar que em nenhum momento o jornalista leva em consideração seu público de fato, no qual ele mantém apenas uma vaga ideia de para quem esteja e escrevendo e como este suposto leitor receberá de melhor forma o conteúdo com o qual trabalhou, azendo com que o intermediário dos fatos, jornalista, passe a escrever com maior clareza, e somente por este único critério, acreditar que está sendo objetivo e escrevendo para um público que se interesse pelo que escreve (a conclusão retirada desta premissa é comentário do aluno). Enquanto na realidade o que o jornalista leva em consideração ao escrever seu texto é muito mais um agendamento que ocorre entre todos os veículos sobre determinado assunto, e suas possíveis explorações diversas, consideradas como contrapontos nas posições editoriais.
A título de informação, é importante resumir quais são os cinco critérios pelos quais um fato recebe um valor jornalístico: categoria substantiva: referente a fatos que são noticiáveis por si mesmos; de produção: o material em questão e sua relação com as formas que os jornalistas trabalham; informacional: semelhante à anterior, só que esta possui características que são mais evidentes do trabalho, como por exemplo, o espaço do texto e a diagramação da página, a facilidade do jornalista coma as fontes; a de receptores: categoria na qual o jornalista se utiliza de critérios em que uma informação possa ser melhor processada pelo público em suas caraterísticas narrativas; e a de concorrência: na qual são avaliados os outros veículos e os agendamentos sobre os assuntos e as formas de abordagem.
Por fim, concluo que a hipótese de newsmaking pode ser utilizada para qualquer avalização de conteúdo informacional, já que não o observa como algo isolado, mas sim como um resultado no qual cada fase produtiva imprimiu determinado valor específico para que a notícia saísse daquele jeito, e não de outros. já que as possiblidades são inúmeras. O newsmaking consegue comprovar, por exemplo, porque o jornalismo é sempre parecido mesmo em veículos que são ideologiacemnte opostos, ora, se durante quatro anos uma pessoa aprendeu a escrever com determinados recursos narrativos que limitam maior desenvolvimento, após se formar, trabalha em um empresa na qual cumpre tarefas e metas redatoriais, é impossível que todos os textos não sejam gêmeos. (comentário do aluno)
HOHLFELDT, Antônio- Teorias da Comunicação: conceitos, escolas e tendências (2013) Vozes.
Vinícius Costa Pinto 3° Período


Um comentário:

Celina Alvetti disse...

ok, ótima reflexao.

bom ter relacionado com as práticas dos cursos o q, parece, embute uma crítica.

sobre o público - em tese, ao construir a noticia, o jornalista considera tb a percepção q tem do público (em casos,dados concretos)