segunda-feira, 27 de abril de 2015

Ideias de agenda setting e newsmaking

Vale esclarecer primeiramente que se usa o termo hipótese e não teoria simplesmente pelo fato de que uma teoria é um paradigma fechado, um modo acabado, e assim infenso a complementações e mudanças. Uma hipótese, por sua vez, apresenta-se sempre inacabada, adversa ao conceito de erro, característico de uma teoria. A hipótese do agendamento apresenta variados pressupostos, destacando-se:

1.O fluxo contínuo de informações – verifica-se que, diferentemente do que era proposto antigamente, o processo de informação e de comunicação não é fechado. Recebemos, a qualquer hora do dia, muitas informações que podem levar à entropia, processo no qual o excesso de informações que são mal trabalhadas pelo receptor se perdem ou geram entendimentos conturbados. O que na verdade acontece é o efeito enciclopédia. Maxwell McCombs explica que esse processo se dá pois guardamos de maneira imperceptível em nossas memórias uma série de informações que repentinamente lançamos mão, esse processo pode ser consciente ou inconsciente.

2.Os meios de comunicação, por consequência, influenciam sobre o receptor não a curto prazo, mas sim a médio e longo prazo – É mediante a observação de períodos de tempo mais longos que o habitual que podemos estimar, com mais precisão, os efeitos provocados pelos meios de comunicação. Deve-se levar em conta não somente o tempo decorrido por uma determinada cobertura jornalística, mas também, especialmente, o período decorrido entre essa “publicidade” e a concretização de seus efeitos em termos de uma ação consequente tomada por parte do receptor. Um exemplo disso seria a vitória de Fernando Henrique Cardoso, que após a introdução do Plano Real e a grande cobertura midiática conseguiu virar uma eleição onde era virtual derrotado, assumindo assim a presidência da república. 

3.Os meios de comunicação, embora não sejam capazes de impor o que pensar em relação a um determinado tema, como desejava a teoria hipodérmica, se capazes de, a médio e longo prazo, influenciar sobre o que pensar e falar – dependendo dos assuntos que forem abordados pela mídia, o público termina, a médio e longo prazo por incluí-los igualmente em suas preocupações. Assim, a agenda da mídia (o que os meios de comunicação reproduzem) de fato passa a se constituir também na agenda individual (o que cada indivíduo pensa) e até na agenda social (as preocupações da sociedade). 

Um exemplo recente da tentativa de manipulação da mídia é da Revista Veja, lançada semanalmente às quartas-feiras, mas que teve uma edição especial lançada numa sexta-feira (29/10/2014), dois dias antes das eleições presidenciais. A reportagem principal tratava de um suposto conhecimento por parte da presidente Dilma dos escândalos da Petrobras, edição a qual foi muito contestada por ter sido lançada em uma data diferente, ser tendenciosa e por dar direito limitado de resposta. 



Sofremos influências da mídia não a curto, mas a médio e longo prazo, não nos impondo determinados conceitos, mas incluindo em nossas preocupações certos temas que de outro modo não chegariam a nosso conhecimento, e muito menos tornaria-se temas de nossa agenda. 

Para desenvolver essa hipótese o professor Maxwell McCombs, em 1968, fez um acompanhamento inicial da campanha eleitoral nacional dos Estados Unidos. Um estudo exploratório foi desenvolvido a partir da universidade da Califórnia. O pesquisador e sua equipe trabalharam com cerca de 100 questionários, selecionados na relação de eleitores, de maneira a cobrir um variado campo econômico-financeiro, social e racial.

Já o newsmaking diz respeito ao preparo da notícia, levando em conta a relevência dos temas. Esse processo é chamado de gatekeeping (filtro). Essa hipótese explica que o jornalista deve enxergar o "valor-notícia" da informação e outros atributos, como qualidade, importância e interesse, entre outros.

Formulada por Elisabeth Noelle-Newman em 1972, trata-se da não divulgação de uma ideia por medo de rejeição e isolamento imposto provocado por essa exposição. As pessoas, em geral, tendem a seguir as ideias de uma maioria para se sentir parte de um grupo.

Ao deixar de manifestar suas ideias, outros indivíduos com os mesmos pensamentos também se omitem, fazendo com que as ideias de um grupo se calem, formando a espiral do silêncio. Ou seja, a opinião pública é moldada com base no que a maioria acredita.

Grupo: Bernardo Gruber, Leonardo Henrique, Paulo Roberto, Rafael Bronze, Vitor Brunatto e Vitor Hugo.

Um comentário:

Celina Alvetti disse...

sugiro formular de outro modo, uma vez que é necessário uma análise mais aprofundada para afirma do modo como fazem.
" Um exemplo recente da tentativa de manipulação da mídia é da Revista Veja..."