segunda-feira, 25 de maio de 2015

A hipótese do agendamento observada em reportagem da Folha



Imagem: Shutterstock

Em conceito apresentado pelo autor, Wolf, o agenda-setting caracteriza-se por uma hipótese que afirma que o público dá mais atenção ou ignora certos assuntos de acordo com a importância e abordagem trabalhada para esses temas pelos meios de informação. Esta hipótese não defende que os veículos pretendam persuadir o receptor, e sim entende que eles apresentam uma lista de assuntos em que exista a necessidade de se abrir discussões e formar opinião a respeito. Portanto, de maneira resumida, observa-se que o agenda-setting possui como principal pressuposto a ideia de que o receptor constrói a sua noção de realidade social a partir do que é oferecido como conteúdo pelos mass-media.

Porém, a hipótese é contestada e também mais complexa do que como apresentada inicialmente, conforme explica Wolf “parece bastante evidente que a hipótese de agenda-setting é, na realidade, mais complexa do que a sua formulação inicial deixava prever. Uma tentativa para assumir tal complexidade é simbolizada por uma pesquisa de Benton e Frazier (1976) em que se articula, de um modo mais preciso, o conceito de «conhecimentos assimilados» pelos destinatários, analisando o gênero de noções que são apreendidas e a que níveis se situam. Portanto, já não basta observar se existe aquisição de informações e sobre que temas; é necessário também analisar os tipos de informações difundidas e «passadas» de uma agenda para a outra”. (8° Edição, página 156)

A matéria publicada pela Folha no dia 24/05 noticia o 8° caso de vítima de facada em tentativa de assalto no Rio de Janeiro. A reportagem ressalta o grande número de casos de assalto com vítimas de facadas no centro da cidade, demonstrando a similaridade entre os acontecimentos e dando espaço para a fonte oficial (delegacia) explicar o motivo das repetições dessas situações.

De acordo com o defendido pela hipótese do agenda-setting a matéria da Folha oferece ao receptor informações para fomentar a discussão sobre a criminalidade e aumento de ataques e assaltos com vítimas de facadas no centro do Rio. A reportagem, ao colocar a explicação da fonte oficial, coloca argumentos para que a opinião pública discuta e forme conceitos sobre as motivações deste aumento de violência urbana.

Ingrid Teles
Reportagem FOLHA

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