terça-feira, 24 de novembro de 2015

Marry Loui
Nasceu em 1995, em Guaramirim interior de Santa Catarina. Uma pequena menina polaca, que cresceu rápido o suficiente para ser sempre a mais alta da turma. Desde pequena sempre dedicada, uma das melhores alunas do Colégio Evangélico de Jaraguá do Sul. Começou a dançar e estudar piano no teatro Scar aos sete anos, onde, ao passar dos anos, a vida começou a lapidar uma fantástica artista.
Entre os 10 aos 13 anos, tentou entrar para a Escola do Ballet Bolshoi no Brasil, mas infelizmente nunca obteve essa conquista, apesar de todo o seu talento.
Desde de que entrou no Ballet, Marry já tinha um perfil físico para a arte. Seu corpo esguio, polaco, longilíneo, magro e alongado, lhe permitia executar os pedidos de seu professor com muita facilidade e precisão. Depois de anos na pequena, porém qualificada Escola de Ballet, sentiu-se acomodada. 
Em busca de mais, aos dezesseis anos fez a audição para entrar na Escola de Dança do Teatro Guaíra e passou. Na nova escola, além de desenvolver seu talento, desempenhou no primeiro ano o papel principal no espetáculo "O Quebra-nozes".
Dois anos depois foi convidada a dançar em São Paulo na São Paulo Companhia de Dança - SPCD, a maior companhia de dança do país. Hoje Marry tem 20 anos, é uma das mais jovens solistas da SPCD e já se apresentou em mais de 20 países. Ela, além de uma bailarina fantástica, é um exemplo para os catarinenses de esperança, sonho e conquista.

Por: Igor Martins 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A história de Rogério

Daqueles típicos contos de pessoas que perderam a família inteira, e por ironia do destino acabou perdendo também o sentido de viver. É sim que eu pensaria em contar um pouco sobre a sofrida vida de Rogério dos Santos, o “Polaco”. Nascido em Pernambuco, 1975, viu sua família quase que por completa ser destruída pelas drogas, mal esse que acabou entrando em sua vida. Mas eu conto essa história mais para frente.

Logo aos 20 nos perdeu sua mãe e seu pai, e isso foi algo que realmente acabou com os objetivos de vida que até então ele tinha traçado, isso porque dois anos antes ele já tinha perdido o seu irmão mais novo, e o mais velho também. Ambos por causa das drogas.
Tios, tias, primos não estavam mais lá para dar apoio, e isso não foi por causa de morte, e sim, porque pensavam que Rogério também entraria para o mesmo mundo que levou os seus irmãos. Sem esse apoio familiar, ele acabou indo morar em Minas Gerais. Não sabendo porque, nem pra que, ele foi morar lá apenas por ter visto algumas cenas bonitas sobre a cidade na TV. Ah, esse foi o porque.

Sem conhecer ninguém, nem ter onde morar, emprego ou qualquer coisa que pudesse dar um reinicio de vida, Rogério começou a dormir na rua. Algo que viria a acontecer muitas e várias vezes em sua vida ainda. Ele não sabia. Na cara e na coragem, ele foi para lojas e empresas pedir emprego, mas sem um pingo de conhecimento e/ou formação, não foi aceito em nenhum lugar que ele bateu. Ai quem bateu foi o desespero, a fome, o cansaço e a vontade  de estar em sua casa, onde lá por mais que fosse precário, tinha o seu conforto.
Não tendo emprego, Rogério começou a catar reciclável e vender para comprar comida. Mas muitas vezes o dinheiro não dava nem para se alimentar, obrigando-o a comer restos dos cestos de lixo que ele revirava diariamente na rua. Morar em Minas Gerais estava insuportável, ele não aguentava mais.

Porém, no dia que ele tinha o dinheiro certo para pegar um ônibus para voltar a sua cidade e lá conviver novamente com o nada que outrora tinha, conheceu um homem que ele diz guardar no coração até hoje. Amauri era seu nome, se conheceram após Rogério pedir um café em uma lanchonete, Amauri estava lá e pagou um pastel de frango com um suco de laranja. Quanto tempo que Rogério não comia nada parecido. Amauri falou que estava indo a Paranaguá trabalhar no Porto, e queria dar uma oportunidade para Rogério trabalhar lá também. É claro que o nosso personagem não recusou.

Chegando ao litoral paranaense, porto de Paranaguá mais precisamente. Rogério e Amauri foram fazer a entrevista de emprego, e conseguiram. Trabalharam juntos por aproximadamente dois anos, Rogério foi demitido por beber em horário de trabalho. Foi algo que novamente deu uma queda na expectativa de vida de Rogério. Mais uma vez se viu obrigado a catar lixo na rua, só que agora em terras paranaenses. Hoje em dia, ele vive em algum lugar de Paranaguá, na verdade, em qualquer lugar de Paranaguá. Agora acompanhado de seu cachorro, que carinhosamente chama de Fidel. Esse que vos escreve, diariamente acaba encontrando com esse Senhor na rua, e sempre o cumprimenta. Virou meio que uma rotina. Rogério é uma pessoa muito conhecida na cidade.


Rogério ainda vive na rua, trabalhando com o mesmo que trabalhava antes, passando as mesmas necessidades de antes, tudo como antes. Mas ele se orgulha muito de nunca ter usado droga. Algo que ele sempre se preocupa e fica triste ao imaginar, é a bebida alcoólica que o tirou emprego, e hoje em dia tira a sua dignidade.

Por: Michel Moreira


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Solidariedade nas ruas de Curitiba

"Acho que se todos nós ao invés de ficarmos pensando como seria bom se o mundo fosse um lugar melhor e realmente fizéssemos algo, a vida de toda a nossa comunidade poderia ser beneficiada, é um patamar mais próximo do que imaginamos". É sob essa perspectiva que Carlos Rezende Machado, gerente financeiro de 39 anos, é motivado a ter atitudes solidárias.
Carlos é o quinto membro de um grupo de  amigos que se reúnem todas as quintas-feiras para distribuir mantimentos e cobertores aos moradores de rua da capital paranaense. A ideia surgiu, ele conta, de maneira informal em 2011,  "durante um bate-papo mesmo", quando conversava com uma de suas amigas que atualmente coopera na distribuição dos materiais arrecadados e é  assistente social. Na ocasião, ela narrava os desdobramentos da organização de um projeto solidário de doação de donativos que ela estava gerenciando, relato esse que instantaneamente inspirou Carlos a começar a agir.
O gerente financeiro afirma que apesar de amar seu ofício na área de Economia, é realizando atividades voluntárias que se sente plenamente realizado, assim ele sustenta que ajudar ao próximo contribui para a satisfação pessoal e as ações solidárias podem estar ao alcance de qualquer pessoa disposta, independente de suas ocupações diárias.
Machado afirma que pretende ampliar as ações do grupo e desenvolver uma Ong em que possa ter mais visibilidade para a arrecadação de materiais, alcançar mais voluntários e assim ajudar mais pessoas.
Ao ser questionado se ele imaginava-se realizando esse tipo de atividade, o profissional volta no tempo e afirma que de uma maneira tão pontual ele não pensava a respeito anteriormente, entretanto, quando era criança,  afirma que sempre quis ser alguém que fizesse a diferença no mundo, que contribuísse de alguma forma, como um "super-herói, brinca, e apesar de nenhum planejamento prévio, a vida culminou espontaneamente para que ele desenvolvesse o projeto.
Machado finaliza reiterando que pessoas esperam muitas vezes por atitudes grandiosas e acabam por esquecer o que pode ser feito cotidianamente, sendo que além de perder a oportunidade de ajudar ao próximo, paralisam o que ele acredita ser um efeito de solidariedade em cadeia, em que uma pessoa com sua ação impacta e estimula os demais a seguir o mesmo trajeto, "é por isso que eu tento apadrinhar mais pessoas para formar uma corrente do bem", esclarece.

Guilherme Novakoski; Lívia Mattos; Rebeca Franco - 2° Período/Noite

A arte em construção

Por Julia Favaro, Igor Arendt e Mayara Schade
“O objetivo profundo do artista é dar mais do que aquilo que tem”. Essas foram palavras proferidas pelo filósofo, escritor e poeta francês Paul Valéry, na tentativa de descrever uma das mais complexas e incompreendidas funções do homem no mundo.
Um artista, aquele que doa-se de corpo e alma para o trabalho e que muitas vezes definha no esquecimento. Esse é o fardo, e também o regozijo ao qual o jovem artesão e bonequeiro da Lapa, Alessandro Oliveira de Souza, de 21 anos, mergulhou a sua vida.
Desde pequeno, seu fascínio pelas fantasias que a arte aflorava na mente dos homens e a influência do trabalho de seu pai, um feitor de brinquedos, o levaram a escolher esse ofício.
Alessandro confecciona bonecos, constrói seus figurinos e engenha todo o apoio de sustentação e movimento que lhes dá vida. Tudo é feito com materiais recicláveis, confecções simples, mas que no final demandam extrema complexidade de projeção. Suas obras envolvem esculturas em madeira, papel, papelão e todo e qualquer material que possa ser aproveitado.
O jovem artista, que há pouco teve contato com o artista e bonequeiro João Andirá, vem aprimorando suas obras, fazendo uso da orientação e do conhecimento que o mais velho tem a lhe passar. Nesse novo cenário e com essas novas faces que a arte na isolada e pacata cidade da Lapa se renova, caminhando a cada dia para um futuro em que a realidade será invadida pela fantasia.
Aos 21 anos, o artista e artesão, Alessandro Oliveira de Souza, demonstra suas habilidades

domingo, 15 de novembro de 2015

Perfil: Iara Cruz

Por Isabella Beatriz e Patrícia Guaselle

Iara Cruz nasceu em uma casa em que animais já faziam parte da família. Sua mãe passou o gosto adiante na família, para ela e o irmão. Talvez por isso, durante toda sua vida ela recolhia um ou outro bichinho que precisasse de uma casa, apesar de haver aqueles como o marido, que não entendiam sua dedicação.
                Gatos são criaturas de afinidade, de sentimento. Um filhote, tão inocente, nem sabia que iniciaria uma mudança na vida de Iara. Separada, ela o adotou, só para depois perder o chão quando ele morreu aos nove meses. Motivada por esses curtos meses de convivência, ela decidiu adotar um gatinho para cada um dos seus dois filhos, para que cada criança cuidasse de um, para que ela pudesse passar seu amor adiante, como antes tinham passado a ela.
 O tempo passou rápido, as circunstâncias se perderam em um vórtice. Antes que ela pudesse notar, estava com 10 dentro de casa. Ela chegou a recolher ninhadas inteiras abandonadas com a mãe. A ideia nunca era mantê-los, mas ela cometeu um erro agridoce: deixá-los se aconchegar ao seu coração. Ela se apegava, os castrava e ficava com eles.
Com o falecimento da mãe, seu irmão se mudou para Itajaí com os animais da sua infância. Iara permaneceu em Curitiba, alugando uma casa em que tinha que esconder seus gatos para evitar problemas. Hoje, o terreno é dela, dos dois filhos, dos 21 gatos e dos 7 cães. Ela construiu um gatil com cobertura e tela para que eles não tenham acesso à rua.
Às vezes, ela até tenta um exercício de desapego. Um de seus cães permaneceu com um tutor por um ano, mas foi devolvido no mês passado. Ele voltou sem castração, sem vacina e ela suspeita que ele tenha apanhado. Ela decidiu não doá-lo mais. Eles são parte da sua vida, seus filhos.
Como todo dono de animal de estimação, Iara admite que é difícil se adaptar. Eles estragam muita coisa, brigam entre si. Consomem muito dinheiro com vacina, castração, remédios, ração. Metade do seu salário vai para eles. Existem pessoas que, ao ler algo assim, tremeria na mera possibilidade de um animal com tanto poder assim. Mas, como todo dono de animal de estimação, ela descobriu a verdade absoluta: o amor é maior do que tudo isso.
Quando se formar em Serviço Social, Iara espera estar ganhando um pouco mais para poder dar maior suporte aos seus animais. Ela não tem a menor dúvida de que o futuro dela e os deles estão entrelaçados. Ela sabe que o trabalho de protetor é enxugar gelo, mas considera seu papel muito importante, devido à negligência com que Curitiba trata de seus animais de rua. Sem esses defensores anônimos, Iara considera que a situação já teria se tornado uma calamidade.

A forma de diminuir a bola de neve que é o crescimento da população de rua, de acordo com a protetora, é pagar pela castração desses animais. Enquanto isso não acontece, ela continua muito feliz, obrigada, com seus amigos animais, sabendo que fez sua parte. 


sábado, 14 de novembro de 2015


Vida em Missão

Tatiana de Cosmo Martins, 41 anos, nascida em Realeza-PR é mãe de quatro filhas, voluntária há 18 anos, estudante de pedagogia e casada há 23 anos com Damar de Cosmo, que juntos, fundaram em 08 de dezembro de 2004 a Associação Beneficente De Mãos Unidas, movimento de pessoas voluntárias que através de atividades sociais e religiosas desejam promover a dignidade do ser humano. Após a criação da ONG, perceberam as necessidades da região em que moravam, fundando também a Comunidade Mãe da Unidade, casa de apoio à missão De Mãos Unidas e tem por missão Ser sinal do Amor de Deus pelas mãos de Maria, anunciando a todos a plenitude do Reino pelo Carisma da Unidade: “Para que Deus seja tudo em todos” (I Cor 15,28) e o Núcleo de Formação Indicador, Projeto Social que visa oferecer serviço de Convivência e Fortalecimento de vínculos com a família e a sociedade.
Tatiana conta que ama o que faz e que seu objetivo é transformar realidades, ajudar famílias e ampliar possibilidades na vida de cada uma dessas pessoas. "Faço isso em primeiro lugar porque é minha obrigação, pois se fui chamada à vida, sou chamada a transformar realidades e a servir através dos dons que Deus me presenteou", afirma.
Emocionada, conta: "Muitas vezes me dói o coração ver que muitas crianças não têm as mesmas oportunidades que as outras, mas que se forem estimuladas podem ter um futuro melhor e render tanto quanto as outras. Então, coloco minha vida a serviço, me disponho, me entrego em prol daquilo que acredito. Com educação, conhecimento, amor, carinho e respeito, realidades como a falta de família, uso de drogas, podem ser modificadas". Para ela, se cada um fizer sua parte teremos um mundo melhor: "Fazer o bem não pode só ficar na boa intenção, é preciso um gesto corajoso de sair do comodismo de nossa rotina e abrir-se para a ação concreta de atitudes que transformem efetivamente a vida das pessoas que estão ao nosso redor".


Conheça:
 
Ema Cristina e Giovanna Rell, 2º período de jornalismo