segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A história de Rogério

Daqueles típicos contos de pessoas que perderam a família inteira, e por ironia do destino acabou perdendo também o sentido de viver. É sim que eu pensaria em contar um pouco sobre a sofrida vida de Rogério dos Santos, o “Polaco”. Nascido em Pernambuco, 1975, viu sua família quase que por completa ser destruída pelas drogas, mal esse que acabou entrando em sua vida. Mas eu conto essa história mais para frente.

Logo aos 20 nos perdeu sua mãe e seu pai, e isso foi algo que realmente acabou com os objetivos de vida que até então ele tinha traçado, isso porque dois anos antes ele já tinha perdido o seu irmão mais novo, e o mais velho também. Ambos por causa das drogas.
Tios, tias, primos não estavam mais lá para dar apoio, e isso não foi por causa de morte, e sim, porque pensavam que Rogério também entraria para o mesmo mundo que levou os seus irmãos. Sem esse apoio familiar, ele acabou indo morar em Minas Gerais. Não sabendo porque, nem pra que, ele foi morar lá apenas por ter visto algumas cenas bonitas sobre a cidade na TV. Ah, esse foi o porque.

Sem conhecer ninguém, nem ter onde morar, emprego ou qualquer coisa que pudesse dar um reinicio de vida, Rogério começou a dormir na rua. Algo que viria a acontecer muitas e várias vezes em sua vida ainda. Ele não sabia. Na cara e na coragem, ele foi para lojas e empresas pedir emprego, mas sem um pingo de conhecimento e/ou formação, não foi aceito em nenhum lugar que ele bateu. Ai quem bateu foi o desespero, a fome, o cansaço e a vontade  de estar em sua casa, onde lá por mais que fosse precário, tinha o seu conforto.
Não tendo emprego, Rogério começou a catar reciclável e vender para comprar comida. Mas muitas vezes o dinheiro não dava nem para se alimentar, obrigando-o a comer restos dos cestos de lixo que ele revirava diariamente na rua. Morar em Minas Gerais estava insuportável, ele não aguentava mais.

Porém, no dia que ele tinha o dinheiro certo para pegar um ônibus para voltar a sua cidade e lá conviver novamente com o nada que outrora tinha, conheceu um homem que ele diz guardar no coração até hoje. Amauri era seu nome, se conheceram após Rogério pedir um café em uma lanchonete, Amauri estava lá e pagou um pastel de frango com um suco de laranja. Quanto tempo que Rogério não comia nada parecido. Amauri falou que estava indo a Paranaguá trabalhar no Porto, e queria dar uma oportunidade para Rogério trabalhar lá também. É claro que o nosso personagem não recusou.

Chegando ao litoral paranaense, porto de Paranaguá mais precisamente. Rogério e Amauri foram fazer a entrevista de emprego, e conseguiram. Trabalharam juntos por aproximadamente dois anos, Rogério foi demitido por beber em horário de trabalho. Foi algo que novamente deu uma queda na expectativa de vida de Rogério. Mais uma vez se viu obrigado a catar lixo na rua, só que agora em terras paranaenses. Hoje em dia, ele vive em algum lugar de Paranaguá, na verdade, em qualquer lugar de Paranaguá. Agora acompanhado de seu cachorro, que carinhosamente chama de Fidel. Esse que vos escreve, diariamente acaba encontrando com esse Senhor na rua, e sempre o cumprimenta. Virou meio que uma rotina. Rogério é uma pessoa muito conhecida na cidade.


Rogério ainda vive na rua, trabalhando com o mesmo que trabalhava antes, passando as mesmas necessidades de antes, tudo como antes. Mas ele se orgulha muito de nunca ter usado droga. Algo que ele sempre se preocupa e fica triste ao imaginar, é a bebida alcoólica que o tirou emprego, e hoje em dia tira a sua dignidade.

Por: Michel Moreira


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