domingo, 15 de novembro de 2015

Perfil: Iara Cruz

Por Isabella Beatriz e Patrícia Guaselle

Iara Cruz nasceu em uma casa em que animais já faziam parte da família. Sua mãe passou o gosto adiante na família, para ela e o irmão. Talvez por isso, durante toda sua vida ela recolhia um ou outro bichinho que precisasse de uma casa, apesar de haver aqueles como o marido, que não entendiam sua dedicação.
                Gatos são criaturas de afinidade, de sentimento. Um filhote, tão inocente, nem sabia que iniciaria uma mudança na vida de Iara. Separada, ela o adotou, só para depois perder o chão quando ele morreu aos nove meses. Motivada por esses curtos meses de convivência, ela decidiu adotar um gatinho para cada um dos seus dois filhos, para que cada criança cuidasse de um, para que ela pudesse passar seu amor adiante, como antes tinham passado a ela.
 O tempo passou rápido, as circunstâncias se perderam em um vórtice. Antes que ela pudesse notar, estava com 10 dentro de casa. Ela chegou a recolher ninhadas inteiras abandonadas com a mãe. A ideia nunca era mantê-los, mas ela cometeu um erro agridoce: deixá-los se aconchegar ao seu coração. Ela se apegava, os castrava e ficava com eles.
Com o falecimento da mãe, seu irmão se mudou para Itajaí com os animais da sua infância. Iara permaneceu em Curitiba, alugando uma casa em que tinha que esconder seus gatos para evitar problemas. Hoje, o terreno é dela, dos dois filhos, dos 21 gatos e dos 7 cães. Ela construiu um gatil com cobertura e tela para que eles não tenham acesso à rua.
Às vezes, ela até tenta um exercício de desapego. Um de seus cães permaneceu com um tutor por um ano, mas foi devolvido no mês passado. Ele voltou sem castração, sem vacina e ela suspeita que ele tenha apanhado. Ela decidiu não doá-lo mais. Eles são parte da sua vida, seus filhos.
Como todo dono de animal de estimação, Iara admite que é difícil se adaptar. Eles estragam muita coisa, brigam entre si. Consomem muito dinheiro com vacina, castração, remédios, ração. Metade do seu salário vai para eles. Existem pessoas que, ao ler algo assim, tremeria na mera possibilidade de um animal com tanto poder assim. Mas, como todo dono de animal de estimação, ela descobriu a verdade absoluta: o amor é maior do que tudo isso.
Quando se formar em Serviço Social, Iara espera estar ganhando um pouco mais para poder dar maior suporte aos seus animais. Ela não tem a menor dúvida de que o futuro dela e os deles estão entrelaçados. Ela sabe que o trabalho de protetor é enxugar gelo, mas considera seu papel muito importante, devido à negligência com que Curitiba trata de seus animais de rua. Sem esses defensores anônimos, Iara considera que a situação já teria se tornado uma calamidade.

A forma de diminuir a bola de neve que é o crescimento da população de rua, de acordo com a protetora, é pagar pela castração desses animais. Enquanto isso não acontece, ela continua muito feliz, obrigada, com seus amigos animais, sabendo que fez sua parte. 


Um comentário:

Celina Alvetti disse...

1 incluam uma ilustração, pfvr;
2 a historia de vida é bacana, bem contada;
3 poderia ser aprimorada quanto ao texto.