quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Homenagem ou sensacionalismo?

Os meios de comunicação medem e filtram as informações, decidindo o que deve ou não ser veiculado. De acordo com a teoria do agendamento, os veículos de comunicação nos dizem no que pensar e como pensar sobre as notícias divulgadas por eles. Segundo a teoria, a mídia tem grande influência e causa mobilização, pois escolhe os temas e pautas mais relevantes para levar ao público.

Quando acontecem notícias espetaculares, como a morte de alguém em evidencia, a mídia pode acabar mudando o foco de sua programação para cobrir o evento. Um exemplo recente foi a morte do ator Domingos Montagner, que atuava na novela “Velho Chico” da Rede Globo. Com o falecimento de Montagner, percebemos a mudança do plano de notícias, como no programa matinal “É de Casa” da TV Globo, que deixou de exibir pautas anunciadas na semana para transmitir ao vivo o velório do ator.

No caso da morte de Montagner a imprensa se mostrou muito engajada em homenageá-lo, porém, acredito que tenha sido exagerado cobrir o funeral, um momento tão particular e de luto da família. Invadindo a privacidade da esposa, filmando-a em uma hora complicadíssima de sua vida. Passa a sensação de sensacionalismo, pois ultrapassa a linha tênue entre homenagem e exagero.

O agendamento não acredita que a imprensa tente persuadir o público, mas sim fazer com que eles incluam ou excluam certos pensamentos próprios sobre o assunto e levem-nos em suas conversas do dia-a-dia. Tudo isso ocorre, pois a mídia cria e mantém a relevância dos temas, produz a informação de forma mais semelhante, está em todos os lugares e sabe sua influência. Porém, por saber de sua influência, às vezes acabe passando uma imagem apelativa, repetindo e repetindo exaustivamente assuntos pesados ou delicados, a ponto de cobrir a curiosidade (às vezes mórbida) do público.

Alguns programas televisivos tendem a interferir em certos casos policiais ou tragédias, porém, como imprensa não é polícia, não é responsável e nem tem amparo legal para substituir o papel da polícia em investigar os crimes. A mídia, ao interferir nos fatos, passa a decidir o que é correto ou não, legitimo ou não, sendo juiz de uma situação pela qual não tem legitimidade para decidir. Cobrir esses tipos de eventos impõe aos jornalistas uma série de contrariedades ligadas à ética da cobertura.



Por: Fernanda Sobocinski Arantes - 3° Período

Um comentário:

acadêmicos do segundo ano de Jornalismo da PUCPR disse...

E se não fosse da minha emissora?
Crítica ao texto homenagem ou sensacionalismo?

Sobre o texto homenagem ou sensacionalismo, acredito que é papel da mídia cobrir fatos espetaculares que acontece dentro das mesmas, como foi o caso da morte do autor Domingos Montagner, que atuava na novela “Velho Chico” da Rede Globo.
A emissora produziu várias homenagens para o artista, transparecendo ao público uma forma de gratidão pelo trabalho prestado a Globo, Sendo assim, compro a ideia que a discussão não deveria ser o sensacionalismo em cima da morte do autor, a grande questão a ser discutida é se autor não fosse da Globo e sim da concorrência, a emissora Global daria a mesma importância para morte? Acredito que não, pois infelizmente a mídia ou emissora em seu agendamento vai dar maior importância a notícias dentro de seus interesses. Penso que com a morte do autor, a audiência da novela Velho Chico deve subir, pois a curiosidade das pessoas aumenta para saber como vai ser os próximos capítulos da novela daqui pra frente.
Luís Gustavo Ribeiro