sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Antes não informado do que mal informado


Por Beatriz Mira, 3º período de jornalismo

Hoje em dia, se informar pela internet é um ato básico para a grande maioria das pessoas. Ouvimos tantas características maravilhosas sobre a internet que fica difícil, especialmente para uma estudante de comunicação de 19 anos, discordar ou questionar a sua veracidade.

Recentemente, me vi inserida em um exercício acadêmico, um desafio por diversos motivos, de subir ao palco durante um evento, e explicar por que não é possível se informar na internet com profundidade. Meu primeiro pensamento foi: “passei a vida inteira defendendo a internet, como posso criticá-la agora?”

Com um mínimo de pesquisa, descobri que é sim possível, e necessário, criticar a internet. Inclusive, fiquei assustada com a facilidade que tive na execução deste trabalho. Mas vamos começar do começo. O que exatamente eu estava criticando? O que o outro grupo, que se colocou favorável à internet, iria dizer? A internet é veloz. É multimídia. É democrática.

Ela permite que um grande número de pessoas aprendam, e tenham suas vozes ouvidas. Ela dá visibilidade e vida a meios de comunicação alternativos, que, teoricamente, não tem “rabo preso” a nenhuma figura importante da sociedade.

Não posso negar: essas características são todas reais. Mas, infelizmente, nenhuma delas se associa à profundidade, e à qualidade da informação. Não existe velocidade ou multimídia que compense informações erradas. É incrível que pessoas ao redor do mundo tenham uma plataforma mundial para expressar suas opiniões, mas isso também dá espaço à viralização de mentiras e “notícias” tendenciosas.

Mesmo os grandes portais de notícia, julgados confiáveis, publicam mentiras e informações erradas. Três das cinco notícias mais compartilhadas na semana do impeachment da ex-presidente Dilma, eram falsas. Notícias que foram escritas, publicadas e divulgadas por “portais de notícia confiáveis”.  A velocidade da web não é saudável e adequada para o jornalismo.

Não é segredo que na internet o compromisso da maioria dos veículos noticiosos é com a quantidade de acessos, e não necessariamente com a qualidade do texto e da apuração. Por isso, muito do conteúdo que vemos na web foi selecionado por alguém, que entende o que o público quer. Alguém, (uma pessoa, um veículo, ou até uma espécie de  senso comum dentro da redação) que acaba pautando os assuntos tratados na vida das pessoas que leem aquele jornal.

Essa figura se tornou uma entidade descentralizada com o advento da internet, mas ainda existe. Existe em cada um de nós, quando escolhemos postar o clássico “textão” no Facebook, ou quando escolhemos quais páginas seguimos ou não.

O conceito de bolha ideológica é facilmente aplicado a essa situação. É muito fácil para o indivíduo entrar na web e achar sites, blogs e páginas que falam exatamente o que ele quer ouvir. E, na maioria dos casos, ele acaba ficando restrito a opiniões como as dele, e a mercê de falsas informações. O resultado? Uma sociedade alienada, cada um na sua ideologia, sendo mimada pelos meios online que ela segue. Mídias online podem não ter “rabo preso”, mas todas partem de um ponto de vista.


A internet pode ser uma ferramenta maravilhosa para se entender diversos pontos de vista e para analisar o público que a usa, se quem estiver pesquisando saiba o que está fazendo. Como todo bom jornalista, o nosso dever se aplica a todos que usam a internet: desconfie e questione tudo o que lê. Só assim o ato de se informar com profundidade e qualidade se torna possível.

Um comentário:

Bia Lins disse...

Parabéns. Gostei muito!