segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Quem pauta quem?

Por Beatriz Mira, 3º Período de jornalismo

Então, a pergunta que fica é: Essa manipulação dos fatos ocorre por causa dos veículos ou por causa dos indivíduos?”. Foi com essa questão que fechamos o nosso último texto. Sugiro aqui, para começarmos o raciocínio, uma breve reflexão: E se a mídia noticiasse tudo que o público diz que deve ser noticiado? E se quem pautasse o Jornal Nacional fossem os espectadores?

Estaríamos lidando com uma inundação de informações que nem sempre seriam relevantes para o nosso dia a dia. Um exemplo claro disso é a seção Painel do Leitor do jornal Folha de São Paulo. A editoria traz apenas notícias pautadas por leitores, que quase sempre, carecem de relevância. Manchetes que abordam temas como ruas esburacadas ou outro problemas de bairro compõe a página. “Ponto Frio não trocou câmera fotográfica com defeito” e “Casa Suíça não troca bolo com pedaços de plástico” são alguns exemplos.

O que a população as vezes falha em perceber, é que faz parte do papel do jornalista selecionar o que é notícia, e ela precisa disso. Se uma dia o povo viesse a pautar o jornal, seria como aquele filme em que as crianças ficam sozinhas, sem os pais, e acham o máximo no começo, mas depois percebem que não são capazes de administrar uma casa ou o que for sozinhos.


O povo paga o jornalista justamente para cumprir essa função, e depois, reclama. É claro que não devemos generalizar e nem apelar para os extremos. Até por que ao lado da notícia sobre o bolo com plástico da Casa Suíça, vemos “Água falta 24 horas por dia, três vezes por semana”, na região onde a leitora mora. Pode não ser notícia para o país inteiro, ou nem sequer para o resto da cidade de São Paulo, mas outra parte da função do jornalista é dar voz para aqueles que não a tem.

A editoria da folha pode acabar parecendo um fórum de reclamações, mas também pode ajudar uma comunidade a chamar a atenção da prefeitura para algum problema. O que precisamos, no jornalismo e na vida, é um equilíbrio entre as duas partes. A participação do leitor já é uma realidade para nós e não devemos tentar muda-la. Ao mesmo tempo, o leitor deve entender que é necessária a existência de um “filtro”, que seleciona e interpreta os fatos, até para o seu melhor entendimento. Trabalhando lado a lado, a parceria entre imprensa e sociedade pode ser poderosa, no melhor dos sentidos.


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