segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O valor da notícia

Por Stella Prado

Apesar de muitos consumidores não conhecerem o lado teórico da produção de conteúdo, entendem que a indústria da notícia limita o jornalista. Ao conversar com estudantes secundaristas nas escolas ocupadas do Paraná muitos relataram que alguns jornalistas de veículos de comunicação de massa que os entrevistaram são a favor das ocupações, mas por trabalharem em empresas que atendem ao interesse político e privado, seguiram a linha editorial do veiculo em suas matérias, publicando textos com conteúdo generalizado e tendencioso sobre a rotina dentro das escolas ocupadas.

Felipe Pena diz: “Embora o jornalista seja participante ativo na construção da realidade, não há uma autonomia incondicional em sua prática profissional, mas sim a submissão a um planejamento produtivo. As normas ocupacionais teriam maior importância do que as preferências pessoais na seleção das notícias”.

A seleção de noticias é uma das práticas do newsmaking e o valor-noticia é um dos critérios primários durante essa "filtragem". Todo jornalista sabe identificar o que é noticia ou não através do senso comum. Talvez por isso, os novos jornalistas prefiram trabalhar em mídias alternativas, que ofereçam mais oportunidade de liberdade para produção de conteúdo com senso crítico. O espaço plural que dispõe a mídia alternativa facilita o alcance a informação por qualquer pessoa onde quer que ela esteja, de forma a democratizar e descentralizar a informação.

Por esse mesmo motivo o diálogo dos secundaristas com a midia alternativa foi estável. Como as ocupações no Paraná pegaram a todos "de surpresa" e configuraram, sozinhas, o maior levante estudantil secundarista já registrado no mundo era preciso  uma cobertura mais ampla e aberta a reflexões. Aos poucos a mídia alternativa vai estendendo o papel de responsabilidade social que resta e que ainda não foi corrompido por interesses particulares.



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